Tania Bacelar, secretária da Fazenda do governo de Pernambuco, foi direto ao ponto: “Tomar medidas impopulares que resolvam, às vezes é necessário. Mas tomar medidas impopulares é inócuas, é perigoso.” No caso, o congelamento da URP agrava a crise econômica e política. E acrescenta: “Este congelamento trará efeitos perversos adicionais às capitais do Nordeste.” E exemplifica: No Recife, cerca de 55% da massa salarial é proveniente de salários pagos pelo setor público. Inclusive e sobretudo pelo governo federal, através da Chesf, Sudene, Joaquim Nabuco, universidades etc… Quer dizer, agora vai correr menos dinheiro. A economia recifense vai sofrer.
Cresce no país a insatisfação com o pacote do Ministério da Fazenda. Não que o país recuse fazer os sacrifícios devidos. Não é isto. Todos estão conscientes da gravidade da situação. A insatisfação é com o tratamento desigual que o ministério concede aos diversos itens que compõem o déficit público. Privilegia os subsídios e os juros. E onera os salários e os investimentos. Ou seja, privilegia o setor exportador e finance
ceiro. Penaliza os assalariados e os empre-
sários. Por quê?
O secretário do Planejamento do Rio de Janeiro, Antonio Cláudio, evidenciou a fragilidade do conceito de “receita líquida” com que trabalha o governo. Um conceito que pretendia “tecnalizar” a decisão. Tornando-a mais aceitável. Não conseguiu. É tapar o sol com a peneira. É conceito deliberadamente construído para dar a idéia de que o país faliu e por causa dos funcionários públicos. Não há quem acredite. Nem o governo, nem os banqueiros, nem os empresários, nem os funcionários, nem os militares.
Em geral, depois de uma guerra, os países lançam impostos e medidas impopulares para restabelecer suas economias. Mesmo impopulares, as medidas são aceitas pois existe a consciência de que são necessárias, justas e eficazes. O governo precisa convencer o povo da justeza e eficácia de seus pacotes.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 12/04/1988_