Em 87, 68% dos entrevistados esperavam que Arraes fizesse um bom governo. Em 88, só 18% confirmam. Hoje, 48% dos recifenses desaprovam sua administração. Estes são dados da Pesquisa Folha publicados na semana passada. Uma série de fatos parecem sustentar este resultado. A rede de ensino público está em greve há mais de 30 dias. Dezenas de milhares de crianças ainda não começaram as aulas. Os médicos estaduais passaram duas semanas de greve. Hospitals foram então semiparalisados. Nesta manhã, podem entrar em greve os funcionários da Compesa (abastecimento de água) e os advogados da Assistência Judiciária.
Pior ainda. A seca e a crise da indústria álcool-açucareira reduziram o tempo da moagem. Calcula-se já existir cerca de 100 mil bírias-frias desempregados na ex-rica Zona da Mata e Agreste. Já começaram, aqui e ali, saques às cidades pela população faminta. Alguns prefeitos já decretaram estado de emergência.
O governo não tem como enfrentar este desemprego, até agora. Como diz o ex-depu-
tado Sérgio Longman (PMDB), falta-lhe um projeto econômico viável. Inexiste qualquer empreendimento significativo, gerador de empregos, em andamento. No setor industrial, de serviços ou agrário. Quer pela iniciativa privada, governo federal ou pelo governo estadual. Como inexiste também qualquer perspectiva que não seja o agravamento da situação econômica, do governo e do Estado.
Comô se não bastasse, Arraes ainda enfrentou contínuas crises do secretariado e um dispensável acidente do seu gabinete com a imprensa. Enfrenta também a crescente oposição de Roberto Magalhães, agora no PTB, e de Joel de Holanda, líder do PFL na Assembléia Legislativa. Sem falar do tratamento que recebe a pão e água do governo federal. Estes fatos dão conteúdo aos dados da Pesquisa Folha.
(Joaquim Falcão)
_05/04/1988_