Da equipe de articulistas

São múltiplos os fatores que vão decidir quais os candidatos e quem ganhará as eleições para prefeito. O principal deles é a regra do jogo: as normas eleitorais.

No Brasil, sem continuidade eleitoral, o legislador de hoje é o candidato de amanhã. Daí, os partidos no poder tenderem a mudar as regras do jogo. Pensando em si próprio, se possível em nome do aperfeiçoamento da vontade popular. No ano passado, a Arena-PDS, suspendeu eleições, criou as indiretas, a Lei Falcão e as sublegandas. Em 82, introduziu o voto vinculado, que, segundo Tancredo, transformou o Nordeste no país do PDS. Assegurando ao regime, efêmera legitimidade eleitoral.

Hoje, o processo arrisca ser o mesmo. O constituinte de hoje é o prefeiturável ou presidenciável de amanhã. E o PMDB, como qualquer outro, busca adequar a legislação eleitoral à sua estratégia maior: a municipalização da eleição presidencial. Quando a máquina partidária local e o palanque dos prefeituráveis estarão vinculados à campanha presidencial. Daí, os dois turnos para prefeito, se possível no mesmo dia dos dois turnos para presidente. E a vinculação indireta. O que tranquiliza uns, e intranquiliza outros. O deputado Fernando Lyra, por exemplo, acredita que o PMDB se desgastará nas grandes cidades se tiver de defender o governo Sarney-Ulysses. Daí, só se candidatar a prefeito de Recife se não tiver que fazer a campanha de Ulysses Guimarães.

Neste momento porém, as regras estão indefinidas. O senador José Richa não descarta a hipótese de reeleição dos atuais prefeitos. Caso a emenda do senador Fernando Henrique Cardoso permitindo a reeleição do presidente, seja aprovada. Se os atuais prefeitos forem candidatos, tudo se altera.

Um segundo fator decisivo é a sigla partidária. Nas últimas eleições, ocorreu crescente identificação do sentimento de oposição ao autoritarismo com a sigla do PMDB. Mesmo um PMDB inchado de egressos da Arena/PDS. A sigla fez milagres. Elegeu praticamente todos. Não apanas os “históricos”. Mas, malufistas, inclusive. A grande interrogação dos prefeituráveis é justamente esta: acabou o autoritarismo, o sentimento oposicionista é captado pelo PT e PDT, e o PMDB está desgastado por ser governo. Mesmo assim, a sigla do PMDB assegura a vitória? Se não assegura, que fatores influenciarão o voto?

#### Provavelmente contará muito a avaliação da administração munici-
pal. Bolivar Lamounier já demonstrou que o embate entre Reynaldo de Barros e Franco Montoro em 82, foi embate entre a boa avaliação pelo paulistano da administração o prefeito Reynaldo de Barros e a sigla oposicionista do PMDB. O sentimento oposicionista venceu no último minuto. Este embate pode se reproduzir agora, Brasil afora.

É cedo para previsões. O voto para prefeito vai depender muito das atuais administrações municipais e das regras indefinidas do jogo. Sobretudo destas. O reitor Cristóvão Buarque, criou, em romance, a figura de um ditador latino-americano, que só gostava de jogar xadrez se o parceiro aceitava a única regra do jogo; o ditador ganhava mesmo quando perdia.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_27/03/1988_