É hora de contar os votos dos políticos de Pernambuco sobre o regime e o mandato. O PDT reza pela cartilha de Brizola: presidencialista e quatro anos já. O PMDB e o PFL dividem-se na questão do mandato. Marco Maciel e Miguel Arraes são presidencialistas. Assim também a maioria da bancada do PFL no Congresso. Mas Jarbas Vasconcellos é parlamentarista. Na bancada federal do PMDB, Maurilio Ferreira Lima transita do presidencialismo para o parlamentarismo. Fernando Lyra faz o caminho inverso. Não há consenso.
Quanto ao mandato a situação é mais clara. O PFL quase todo com o Centrão: cinco anos. Exceção de Marco Maciel e Joaquim Francisco. Já o PMDB vota quase todo nos quatro anos. Com exceção de Nilson Gibson, Luiz Freire e José Carlos Vaconcellos, filho e cunhado de Marcos Freire.
Quanto mais se aproxima a hora da decisão, o interesse dos políticos parece se deslocar. Valem menos as nomeações e os recursos federais. Vale mais a tendência do
eleitorado. O mesmo fenômeno ocorreu
aliás na eleição de Tancredo Neves. O voto
do eleitor amanhã depende muito do voto do
constituinte hoje. Para o constituinte, o
futuro é hoje. Quer dizer, o futuro começa
depois de quarta-feira, quando começará a
votação.
O desafio é acertar na opção que seja eleitoralmente mais provável. Por exemplo: Com mais um ano de mandato, trocando o apoio do PMDB pelo do Centrão, o governo José Sarney consegue controlar a inflação e reverter a atual imagem do governo federal? Ou, como fez Joaquim Francisco (PFL), o que importa agora é acompanhar o sentimento oposicionista do eleitor? Sem falar na dúvida permanente do fisiologismo: Será que serei reeleito abrindo mão das posições que meus correligionários ocupam no governo? Qualquer que seja a resposta, os riscos são inevitáveis e se concretizam ou não, numa democracia, nas urnas.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 15/03/1988_