O PFL do governador Roberto Magalhães anunciou seu apoio ao deputado federal Sérgio Murilo caso venha ganhar a convenção do PMDB. O que é provavel. Fará coligação branca. O vice-prefeito deverá ser do próprio PMDB, provavelmente Moacyr André Gomes, que tem no populoso bairro de Casa Amarela reduto eleitoral. As principais lideranças do PFL, inclusive o senador Marco Maciel acompanham Roberto Magalhães. Todos acrescidos de Marcos Freire, Cid Sampaio e Oswaldo Lima Filho do PMDB estarão juntos no mesmo pulangue.

Pesquisa recente do Ibope apresentou o seguinte resultado: Jarbas Vasconcellos, (PSB), 34%; Sérgio Murilo (PMDB/PFL), 26%; Augusto Lucena (PDS-PDC), 13%; e Roberto Freire (PCB), 8%; com cerca de 15% de indecisos. A campanha ainda não começou. Provavelmente alterará estes percentuais. Desde logo pode-se vislumbrar que o candidato dos comunistas Roberto Freire, que já chegou a ter cerca de 15% em algumas pesquisas, enfrentará dificuldades. O principal reduto de Freire é a classe média e os meios técnico-burocráticos do município e do Estado. A determinado momento da campanha Freire terá que decidir se continua, ou desiste. Setores importantes do PCB, a frente Paulo Cavalcanti, líder histórico, advigado e intelectual de respeito, defendem que o PCB apoia a Freire Popular de Recife, de

Jarbas e Arraes. Se Roberto Freire decidir desistir suas ligações pessoais de muitos anos com Marcos Freire, poderá levá-lo ao PMDB de Sérgio Murilo. Neste caso, assim como o PMDB, o PFL, e o PT, o PCB estará também dividido nestas eleições recifenses.

A coligação branca PFL/PMDB prevê que Sérgio Murilo entregará cargos da Prefeitura para o PFL. Não prevê que o governador Roberto Magalhães entregará cargos estaduais ao PMDB. O mais importante porém é que esta Aliança Democrática do Recife pretende ser a base da Aliança Democrática de Pernambuco, em 1986. Neste caso, a chapa provável deverá ser Marcos Freire (PMDB) para governador, e Joaquim Francisco, atual prefeito do Recife do PFL, para vice-governador. É impossível prever o que acontecerá em 85 e em 86. O que pode parecer natural para os políticos — o candidato da maioria do PMDB, Jarbas, ser candidato do PSB, o candidato do PFL ser o candidato Sérgio Murilo do PMDB, e o candidato do PDS, Lucca, ser adversário do candidato de Roberto Magalhães — pode levar o eleitor a uma razoável esquifrenia eleitoral. Tudo é possível

(Joaquim Falcão)

_Recife, 08/08/1985_