O governador Roberto Magalhães no comando da Frente Liberal de Pernambuco está indo buscar um ex-deputado cassado para ser seu candidato a prefeito do Recife. Trata-se de Silvio Pessoa, advogado, profissional e político respeitado, e que até o mês passado pertencia ao PDT de Leonel Brizola. Silvio Pessoa não saiu sozinho do PDT. Saí acompanhando seu principal líder, o ex-ministro e empresário Armando Monteiro Filho. Ambos agora nó FFL. Os caminhos de Armando Monteiro e Leonel Brizola já vinham se separando há algum tempo, inclusive quando o governador carioca contestou a legitimidade da eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. Armando discordou. Contestar a legitimidade de Tancredo naquele momento era um deserviço à redemocratização do País.
Monteiro e Pessoa são duas aquisições importantes para o PFL. Por vários motivos. O principal é sem dúvida o reforço à imagem liberal do partido. Afinal de contas, Armando Monteiro foi um dos principais líderes oposicionistas ao regime de 64, pelo MDB. O prof. José Antônio Lavareda, da UFPé,
chama sempre a atenção para este desafio que o PFL terá de enfrentar diante do eleitor: o desafio de não parecer o partido das classes conservadoras, do regime autoritário e da corrupção administrativa. É verdade. Todo o esforço dos liberais, de Pernambuco e do Brasil em geral, tem sido justamente este. A modernização eleitoral de sua imagem é condição necessária para captar os preciosos votos das classes médias urbanas, agora e em 1986.
É óbvio que muita água vai rolar. Hoje, porém, Silvio Pessoa é o mais provável candidato do PFL à Prefeitura do Recife. Hoje, também, a chapa liberal para as eleições majoritárias de 86 está, se não definida, pelo menos está esboçada: Gustavo Krause para governador, Armando Monteiro e o próprio Roberto Magalhães para o Senado. Tudo a depender, é claro, do olhar atento, e da benção brasileira do presidenciável Marco Maciel.
(Joaquim Falcão)
_20/06/1985_