Ao contrário do que parece, não são apenas os cargos de prefeito e vice-prefeito que estão em jogo nestas próximas eleições municipais. Está em jogo muito mais. Na maioria dos Estados, por exemplo, está em jogo o governo do Estado e os candidatos ao Senado em 1986. Para quase todos os partidos está em jogo a própria sobrevivência. Para o PFL está em jogo sua consolidação e a definição de uma imagem mais liberal ou mais pedessista. Para o PDT e para o PTB está em jogo o destino como partidos nacionalas, deixando de ser estaduais ou regionais. Para os partidos legalizados, PCB e PC do B, a possibilidade de evidenciar uma mínima base eleitoral é absolutamente indispensável para poderem influenciar a política brasileira. Sem falar no PMDB, uma frente sempre correndo o risco de autofagia e do dilaceramento iminente.

Por detrás do destino dos partidos, porém, está o destino de seus líderes. A ampliação nacional do PDT é condição indispensável para o futuro de León el Brizola, como candidato à Presidência da República. A consolidação liberal do PFL é o espaço necessário de que necessitam Aureliano Chaves e Marco Maciel na corrida presidencial. Igual desafio enfrenta Fernando Henrique Cardoso em seu desempenho como candidato à prefeito de São Paulo.

Mas além disto tudo, está em jogo também a disputa a cargos menores. Este talvez seja um dos grandes problemas que atinge a todos os partidos, em todos os Estados. Não é segredo para ninguém que a eleição, para o próximo Congresso Nacional será extremamente competitiva. Afinal, é uma eleição que permitirá entrar para a história, e moldar o novo regime político. A campanha para a Constituinte começa agora na campanha para prefeito. Por motivo simples. Todo candidato a prefeito, mesmo sem chances, terá acesso aos meios de comunicação. Fará campanha. Terá seu nome divulgado entre os eleitores. O candidato a prefeito perdedor em novembro terá ótimas chances para a Constituinte de 86. Perder agora, pode ajudar ganhar 88. Desde que não seja uma derrota “vergonhosa”. Daí porque as composições é coligações terão de enfrentar dificuldades. Não vai ser fácil conter os candidatáveis. A evidência da derrota não comoverá. Porque um dos subprodutos da derrota para a prefeitura poche seria vitória em 86, como deputado federal, por exemplo.

(Joaquim Falcão)

_16/06/1985_