O governador Roberto Magalhães é contra eleições para prefeitos de capitais este ano. Afirma, porém, que cumprirá a decisão do Congresso. Entretanto, não existem indícios de que os parlamentares pernambucanos mais diretamente vinculados ao governador estão sendo mobilizados para comparecer e sustentar a emenda apoiada pelo governo Sarney de diretas- já para prefeito. Esta situação ocorre também noutros Estados, de governadores do PMDB e do PFL. Por isso, o governador Franco Montoro alertou o ministro Fernando Lyra quanto ao risco da faixa de quórum à votação desta emenda. Tem razão Franco Montoro. E se isto ocorrer, estes governadores e parlamentares terão contribuído para romper o crédito de confiança que o povo deu no presidente Sarney. Mais ainda, terão contribuído para reiniciar o divórcio entre o povo e o poder. O eleitor e o político. Tal qual ocorreu no final do regime autoritário.
Na verdade, não se tem argumentação plausível para adiar as eleições para prefeitos. Eleições que interessam ao PDS, que necessita se revigorar para superar o desastre no Colégio Eleitoral, Eleições que interessam ao próprio PFI para sair do papel e começar a existir
eleitoralmente no Centro-Sul do País. Sem falar dos partidos clandestinos que, legalizados a tempo, terão oportunidade de iniciar a luta eleitoral tantos anos buscada. É justamente atrás desta “provação” eleitoral, por exemplo, que o deputado federal Robertô Frêlre, PMDB-PE e porta-voz nacional dos comunistas, já se lançou candidato a prefeito do Recife. Agora pelo PMDB, concorrendo com Jarbas Vasconcelos, Mas provavelmente, pelo futuro Partido Comunista.
Os argumentos de que eleições trazem intranquilidade social ou caos econômicos não resistem à menor apreciação democrática. A não ser que estes governadores e parlamentares tragam a público outros argumentos, a falta de quórum significará apenas defender a manutenção dos atuais prefeitos. Frutos de indicação pessoal de governadores ainda que com respaldo político internamente partidário. A ausência na votação é a defesa de interesses pessoais e não o começo na reinstitucionalização democrática da Nação
(Joaquim Falcão)
_Recife, 05/05/1985_