O deputado federal Miguel Arraes (PMDBPE) aponta dois riscos que rondam o atual momento político brasileiro. Primeiro é o risco dos políticos chegarem a um acordo entre si, sem que este acordo responda aos anseios de mudança e às reivindicações econômicas da maioria da população brasileira. Em outras palavras, a conciliação dos políticos pode não ser necessariamente a conciliação social. Sobre-tudo neste momento de recessão econômica e de disputa acirrada entre todos pelos escassos recursos econômicos. Disputa entre o banqueiro e seus juros, os empresários e seus preços, e os trabalhadores, e seus salários. Lembra Arraes que o presidente Dutra tentou a conciliação política após a queda do Estado Novo. Ocorre que as mejoias e poças o Brasil estava em inveja/el situação financeira. O jornal do Vaticano, o “Observatore Romano”, chegava até a propor que o rico Brasil ajudasse a pobre Europa destruída pela guerra. Hoje as condições são outras. Conciliação política sem uma definição de mudança economica e social amplamente aceita pela sociedade seria frustrar o desejo da maioria do povo brasileiro. O que seria grave e conclusória à instabilidade.
Segundo (82) risco da reforma, que se inicia,
não vir a desmontar a estrutura atual interna dos partidos políticos. Uma estrutura, segundo Arraes, autoritária. Onde as decisões são tomadas de cima para baixo. As bases quase não têm vez. Nem voto com poder dentro do partido. Lembra que a atual estrutura foi desenhada para que a Arena, e depois o PDS, fossem partidos docéis ao regime. Com suas bases controladas. Neste sentido, a democratização interna é condição indispensável para que a representatividade política e social dos partidos tenha sustentação social. Do contrário, os partidos representarão apenas suas elites partidárias.
Com Tancredo Neves, estes riscos tinham sido minimizados, Tancredo conseguiu sintetizar, em seu desempenho, um momento de conciliação política e social. Hoje estes riscos se colocam outra vez. Como vice-presidente do PMDB, e sua maior autoridade depois de Ulysses Guimarães, Arrães expressaria preocupação nacional.
Éx
(Joaquim Falcão)
_Recife, 18/04/1985_