Começa a reação negativa de políticos e líderes empresariais do Nordeste à solução proposta pelo governo no caso do Sulbrasilheiro. Tendo à frente os deputados do PFL José Thomas Nonò, de Alagoas, e Inocêncio de Oliveira, de Pernambuco, a reação chega também à Câmara dos Vereadores do Recife, com o vereador Carlos Eduardo (PMDB). Diante do aperto de caixa do governo, cada cruzelro liberado hoje dificulta a liberação do cruzelro amanhã. Neste sentido, a primeira preocupação é com a possibilidade de se agravar o atendimento dos pleitos vitais da região, por recursos cada vez mais escassos e severamente controlados. Mas não se trata apenas de reação regionalista. Préocupações de âmbito nacional contam também
Em primeiro lugar, argumenta-se, existe a separação entre o que se diz e o que se faz. A “Nova República” disse claramente que suas prioridades econômicas seriam para o setor produtivo, para os pequenos e médios empresários e para a “desesta-lição da economia”. Este apoio dado ao Sulbrasil-leiro significaria o continuismo dos privilégios dados ao setor financeiro e ao grande empresário. Merecidamente algumas vezes, outras não, como agora. Quando o pequê e médio comerciante ou industrial vai falar, te falar mesmo. Não existe programa-se com a da pequena e média
empresa. Sem falar que subsidios financeiros como esses dificilmente levarão o governo a “desestatizar” a economia.
Dificilmente os aplicadores deixarão de apostar na taxa de juros mais elevada, pois o governo garante tudo. No Congresso, já existe uma emenda que propõe a estalização permanente do Sulbrasilheiro. Em segundo lugar, há o problema dos desempregados. Um problema grave, sem dúvida. O importante, porém, é o governo federal propor um programa especial abrangente. Resolver a questão dos desempregados do Sulbrasilheiro, sem criar um programa de apoio ao desemprego para casos semelhantes, sem criar um programa de apoio ao desemprego para casos semelhantes, é prejudicar milhares de empregados que se encontram hoje, ou que se encontrarão amanhã, em idêntica situação.
Independente da reação negativa, sobretudo de parlamentares que vão enfrentar seus eleitores nordestinos no próximo ano, existe um consenso importante: todos reconhecem que a decisão do ministro Dornelles abriu importante e democrática via entre Congresso e o Ministério da Fazenda.
(Joaquim Falcão)
_14/04/1985_