Nasce.forte o PFL em Pernambuco. Com dois senadores — Marco Maciel e Aderbal Jurema —, dezoito deputados federais (dos quais catorze do : PDS), provavelmente com 26 dos 28 deputados estaduais, além de, com certeza, a maioria dos prefeitos do Estado. A tarefa de arregimentar os deputados estaduais, vereadore e prefeitos cabe ao governador Roberto Magalhães. Aos deputados federais e demais membros do PFL caberá a tarefa de mobilizar a sociedade civil: do empresário ao trabalhador, do estudante ao intelectual. O deputado José Jorge Vasconcelos (PFL-PE), um do seus líderes de primeira hora, já começou. E pelo menos no Grande Recife a receptividade tem sido positiva, pois o PFL coloca-se como alternativa entre a direita (PDS) e a esquerda (PMDB).

Para que o PFL se consolide de forma mais definitiva, duas questões precisam ainda ser equacionadas. A primeira é justamente o destino do PDS em Pernambuco. Para o PFL, a cada dia fica mais claro que é necessário que o PDS viva e sobreviva. Malufista ou não. Não só porque caracterizaria de vez o PFL como o partido de centro, ampliando suas chances no eleitorado das grandes cidades. Como o aliado natural do PDS seria o PFL, não é nada.
improvável que em futuro próximo o governador Roberto Magalhães esteja governando com os dois partidos. Como já está, aliás.

A outra questão diz respeito às sublegendas. E que a nível das bases municipais, foram as sublegendas que mantiveram até hoje a ex-Arena de depois o PDS fortes. Se não existira sublegenda municipal, e parece que existirá mesmo, uma das facções locais entra no PFL e a outra, inimiga tradicional, ou fica no PDS ou vai para o PDT ou PMDB. Aliás, já existe caso de líderes municipais deixarem o PDS e entrarem no PDT. Menos por questão de ideologia, é claro. E mais por questão de sobrevivência eleitoral. Pois o mínimo indispensável para a adesão de um grupo político é assegurar a possibilidade deste grupo lançar candidato a prefeito. Antes, o caminho era através da sublegenda. Agora será através das coligações. E, as coligações não sendo obrigatoriamente vinculadas, poderão nos municípios formar um verdadeiro caleidoscoção.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 27/01/1985_