“Quem o senhor indicaria para ser o sucessor de Tancredo Neves?” Esta pergunta foi feita em recente pesquisa Ibope-Gazeta Mercantil. A resposta interessa menos como progndístico desta longínqua sucessão, e mais como indicador da atual tendência do eleitorado. Neste aspecto, a análise das respostas no Grande Recife pode dizer um pouco sobre a atual política pernambucana.

O eleitor poderia escolher um, entre 31 possíveis candidatos, de todos os partidos: Aureliano, Lula, Maluf, Jánio, Beltrão, Montoro, Maciel, Roberto Magalhães, Marcos Freire, Ulysses etc. As respostas são razoavelmente surpreendentes, ainda que razoavelmente esperadas. Os três mais votados são do PFL: Roberto Magalhães com 28 por cento, Marcos Maciel com 17.5 por cento, e Aureliano com 14.5 por cento. Quer dizer, sozinho o antigo PDS tem 60 por cento dos possíveis votos. Não custa nada lembrar que o Grande Recife é tradicionalmente o reduto eleitoral do PMDB, onde obteve em geral cerca de 60 por cento dos votos. Ou seja, pelo menos por enquanto, a situação se inverteu. Em seguida, vem Brizola com 10.5 por cento. Hoje, o candidato mais votado do PMDB no Grande Recife seria Montoro com 5.0 por cento, seguido de Ulysses com 3.5 por cento. Marcos Freire obteve 0.5 por cento.

Existe no caso do Grande Recife uma grande distorção. Da lista oferecida aos eleitores não constou o nome de Miguel Arraes. Embora constem nomes tão improváveis como Maurício

Campos e Mário Andreazza. A ausência de

Arraes deixou o eleitor do PMDB com limitada
opção, na medida em que Freire não detém
mandato popular.

Evidentemente que estes resultados não permitem conclusão alguma sobre como votaria o eleitor numa eleição. Quando estaria submetido à campanha eleitoral, a um menor número de candidatos, a influência dos partidos etc. Mas estes resultados permitem, desde logo, duas constatações.

A primeira, e mais importante, é a de que o eleitorado do Grande Recife não é um eleitorado cativo do PMDB. É um eleitorado que pode mudar de posição. Capaz de ser influenciado: muito mais por candidatos e desempenhos do que por fidelidade partidária. Capaz de votar no ex-PDS sem nenhum sentimento de culpa ideológica. Toda a estratégia do PFL em Pernambuco se desenvolve a partir da certeza de captar estes votos das oposições.

A segunda, menos importante porque mais conjuntural, é que o desempenho político da PFL em Pernambuco, misturando unidade partidária, austeridade administrativa e oposição às oposições, está correto. Numa situação de competição polarizada, quando um está certo, o outro está errado.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 20/01/1985_