Anteontem, a festa foi de Tancredo Neves.

To há dúvidas. Mas não passou desapercedo-do telespectador, nem dos políticos, que festa foi de Ulysses Guimarães também.

To por causa dos continuados aplausos que écebeu do plenário. Mas sobretudo pelos estos com os quais o próprio Tancredo eves o homenageou. Escolhendo-o para izer a apresentação de sua candidatura. E zendo elogiosas referências em seu discurdo presidente eleito. Na televisão, a cena nãl; ao lado de Tancredo, Ulysses presidindo Mesa, a impressão que ficou nos espectadores era que o País estava diante do de um, mas de dois presidentes. Aradoxalmente, dois presidente que não incorriam, mas que se completavam.

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E razoavelmente irreal falar de fracionalmente do poder presidencial num país como Brasil. Marcado, historicamente por um residencialismo hipertrofiado. Um presencialismo quase imperial e pessoal. Como imbém é razoavelmente improvável que na transcição, ou Nova República, o Presidente eixe de ser o começo e o fim do poder statal. Pode-se esperar melhor repartição os poderes. A perda da proeminência, não.

Mas não podemos deixar de considerar que imagem de dois presidentes fundamenta-se
em fatos. Fundamenta-se no reconhecimento de que coube a Ulysses estes anos todos o desafio de manter unido um MDB/PMDB heterogêneo e muitas vezes autofágico. A união na diversidade foi fundamental para existir 15 de janeiro. Fundamenta-se também no fato de Ulysses Guimarães ter aberto mão de ambição recôndita — ser o candidato à Presidência — e ter apoiado Tancredo Neves. É óbvio. Não foi ato de despreendimento só. O contexto político favoreceu Tancredo Neves, que o captou. Mas foi ato de racionalidade política. Ou apoiava dr. Tancredo ou as oposições não chegariam ao poder. Maluf não soube reconhecer este momento. Impôs o projeto pessoal à racionalidade política. Explodiu seu partido e perdeu. Finalmente fundamenta-se na perspectiva de que, se a prioridade do governo Tancredo Neves é a reformulação institucional democrática do País, nada será possível sem o Poder Legislativo. Dr. Ulysses deverá ser o presidente da Câmara de Deputados e, provavelmente, o presidente da futura Assembléia Nacional Constituinte.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 17/01/1985_