A reação foi em cadeia. Bastou o diretório do PDS fechar a questão e Roberto Magalhães não hesitou. Saiu do PDS. Depois dele, um a um, estão saindo: o vice-governador Gustavo Krausé, o senador Aderbal Jurema, o prefeito do Hecife Joaquim Francisco etc. etc. etc. Mais uma vez, Magalhães lança mão da fórmula que tem lhe granjeado liderança estadual, e nacioni npl também: decidiu se antecipar. Ou, como diria Geraldo Vandré: quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
¡O cidadão eleitor, sobretudo das classes médias urbanas, cansou-se. Cansou-se de um governo federal com ministros de responsabilidades diluídas, de líderes parlamentares por controle remoto, de declarações “presidenciais” ibermediárias. Cansou-se do endeusamento da contra-informação como fundamento do diálogo entre o eleitor e o poder. O cidadão quer decisão, antecipação e responsabilização. Magalhães, por temperamento e por sintonia política, decide, antecipação e se responsabiliza.
¡E inverte o jogo. Durante algum tempo, importantes líderes empresariais ligados à cana-de-açúcar e à pecuária, bem como bases políticas conservadoras do agreste e do sertão,
descontentes com a Aliança Democrática, retiveram Magalhães no PDS. Agora não mais. Quem quiser que o acompanhe ao Partido Liberal. O PDS-PE estará reduzido a poucos líderes políticos, comandados por seu atual presidente nacional, o deputado federal Antônio Farias, ao lado, com certeza, de Nilson Gibson (PDS-PE). E é justamente aí que está a questão que só o futuro resolve. Se todas as atuais bases do PDS acompanharem o governador, ou pelo menos sua grande maioria, nada mudará na política de Pernambuco. Ou melhor, mudará apenas o nome de PDS para Partido Liberal. Assim como a Arena mudou para PDS. Sobretudo se o futuro PL não conquistar alguns líderes do atual PMDB.
O que não quer dizer que o futuro PL não possa fazer alianças com partidos da esquerda nas eleições de 86. Pois se os partidos não mudam, mudam as leis eleitorais e as alianças políticas mudam.
(Joaquim Falcão)
_25/11/1984_