No passado quem pretendesse ser governador de Pernambuco tinha que obter apoio dos poderosos “coronéis” do Interior. Do agreste e do sertão Chico Heráclito em Limoeiro, Chico Romão em Serrita, Veremundo Soares em Salgueiro e “seu” Quele em Petrolina ganharam fama, poder e fortuna como chefes políticos, que determinando os votos do Interior, praticamente decidiam os destinos políticos de Pernambuco. Em 1982, o voto do Interior continuou importante, mesmo com o declínio dos “coronéis”. Contribuiu para a vitória de Roberto Magalhães, assegurada pela vinculação dos votos e pelo apoio das lideranças locais, muitas originárias do antigo coronelismo.

Pois bem, o único “coronel” que deixou herdeiros políticos de expressão estadual e nacional foi “seu” Quele de Petrolina, patriarca da família Coelho Sua fortuna se modernizou e se industrializou. Virou grupo econômico. Seu líder foi o senador Nilo (Coelho (PDS-PE). Hoje é seu irmão, o deputado Oswaldo Coelho, o último deputado federal pernambucano indefinido: não anunciou se apóia Maluf ou Tancredo. Diversos
fatores podem estar pesando nesta indefinição. Um deles, provavelmente, é o destino dos votos do Interior nas eleições estaduais de 86. O outro líder da família, o jovem deputado estadual Fernando Coelho, apóia Tancredo Neves, e e líder de Roberto Magalhães na Assembleia Legislativa.

Ficando com Maluf, Oswaldo Coelho será, certamente, com os deputados Antônio Farias e Ricardo Fiuza (PDS-PE), lider principal do PDS. Com direito, inclusive, a concorrer ao Senado ou governo do Estado. No futuro Partido Liberal, os líderes principais já existem: Maciel, Magalhães, Krause, além dos que vierem do PMDB e do PDT. A concorrência aí será maior. Donde o problema crucial. O que será melhor para 1986? Ser líder principal do PDS eventualmente derrotado? Ou líder coadjuvante do Partido Liberal eventualmente vitorioso?

(Joaquim Falcão)

_Recife, 25/10/1984_