Domingo foram realizadas as primeiras assembléias dos sindicatos de trabalhadores rútiãs. Neste mês de setembro começa a móbilização que deverá conduzir à greve e ao disídio legal, quando se definirão novas condições de trabalho para cerca de 250.000 câmponeses. Do lado dos trabalhadores, a negociação fica por conta da Fetape, que reúne mais de 40 sindicatos rurais, sob o comando de José Rodrigues e Romeu da Fonte. Do lado dos patrões estão o Sindicato dos Plantadores de Caña, com Silvio Carneiros Leão e o dos usineiros, com Gilson Machado.
: Até este momento, ambos os lados demonstram vontade de negociar. No entanto, até agora, os patrões não ofereceram uma proposta concreta em torno da qual a negociação possa começar. A dos camponeses já está na mesa. Ém: grande parte é igual à do ano passado: a manutenção da tabela de tarefas, o cumprimento: ela lei do sítio, o direito ao salário família: 80% do ponto de vista econômico, defendem um aumento de 100 por cento do INPC e 10 por cento de Índice de produtividade. Este ano apresenta: talm: reivindicação nova: a proibição de porte de armas durante o trabalho por parte dos administradores, cabos e fiscais. Não raramente, disputas entre os camponeses e administr
dores, cabos e fiscais são exarcebadas pelo porte de armas. Assim como é inimaginável que um fiscal de linha de produção de uma indústria, ou um gerente de restaurante ande armado no seu trabalho, já é tempo de desarmar o cotidiano de camponeses e administradores.
Do último ano para cá, a organização dos sindicatos rurais muito avançou na zona Sul, sobretudo em Rio Formoso, Cabo, Barreiros, Serinhaém e Ipojuca. Nesta época de negociação nacional, não é de se esperar que o dissfido se desdobre em conflito. O que não impede porém que a cada dia cresça a expectativa dos camponeses de que, mais cedo ou mais tarde, o governo leve a sério pelo menos a reforma agrária do Estatuto da Terra, utilizando mais largamente a faculdade de desapropriação de áreas não produtivas para fins sociais. Se assim não for, a defesa de uma reforma agrária, no dizer dos camponeses, ampla, massiva e radical, passa a ser consequência inevitável da concentração fundiária imobilista.
(Joaquim Falcão)
_18/09/1984_