Logo no início de seus mandatos, Roberto Magalhaês, em Pernambuco, e Esperidião Amin, em Santa Catarina, surgiram como dois políticos, que, alcançando projeção nacional, poderiam contribuir para a modernização moral e ideológica de que tanto carece o PDS. Cada um em seu Estado poderia transformar o PDS, de sustentáculo de regime autoritário em partido do neoliberalismo democrático brasileiro. Para que isto ocorresse, palavras não bastariam. Seria necessário, como é ainda, que os governadores aliassem a uma boa imagem junto à opinião pública e a um bom desempenho de suas administrações, a capacidade de, diante de cada momento, tomar decisões. Decisões que evidenciassem novo estilo de fazer política e novos compromissos sociais.

Atingido por uma, e agora por duas enchentes, o governador Amin tem se revelado um administrador dinâmico e competente. A defesa obstinada que faz das eleições diretas, reforça sua boa imagem junto à opinião pública. Mas é reforço insuficiente. Ao contrário de Roberto Magalhaes, que foi um dos primeiros a apoiar Tancredo Neves, Amin até agora não revelou quem apóia para presidente da República. Ou ainda não subiu no muro. Ou está em cima do muro.

Não é por menos, que vez por outra, entre os membros da Frente Liberal de Pernambuco surja a pergunta: e Amin? Cadê Amin?

Surgem correlatamente tentativas de decifrar a posição do governador. Uns alegam que Amin teria dificuldades em consolidar um PDS catarinense pró-Tancredo, devido à presença de malufistas em suas bases locais. A demora de sua decisão dever-se-ia à necessidade de composições internas. Outros alegam que com duas enchentes pela frente é difícil qualquer governador tomar posição contra os cofres do Planalto. Mesmo lembrando-se que Pernambuco sofre consequências de cinco anos de seca. Finalmente, outros mais fisiológicos, levantam até o argumento da solidariedade árabe para explicar as dificuldades que Amin teria em se opor ao também descendente de árabe, Paulo Maluf.

A esta altura dos acontecimentos, ser a favor das diretas não é posição necessariamente conflitante com o apoio a Tancredo ou Maluf. Uma decisão não impede a outra.

Por isto, não fica claro para a opinião pública o motivo da indefinição do governador. Fica claro porém que uma das exigências da transição democrática é justamente a exigência de que os novos líderes saibam optar com nitidez. Mesmo quando se tem o bom abrigo de ser a favor das diretas.

(Joaquim Falcão)

_06/09/1984_