I campanha presidencial não chegou às ruas. Mas já chegou aos meios de comunicação. E reluziga nos gabinetes e bastidores. Nesta semana, o País foi inundado por discussões, quise todas provocadas por adeptos de Paulo Maluf: as acusações de que Tancredo tem compromissos com as esquerdas, a responsabilização de Tancredo pela alta do dólar no paralelo, as listas de demissões no governo federal etc. Tudo parece fazer parte de uma estratégia de campanha presidencial.

T fácil perceber esta estratégia. Basta notar que toda disputa, quer dizer, toda discussão, se desdara em dois momentos principais. O primeiro é quando se discute, se disputa, o que se vai discutir e como se vai discutir. E quando se define os itens da agenda da discussão. O segundo é quando se entra na discussão propriamente dita. Quando se discutem os itens escolhidos ou impostos. Pois quem consegue itirpor a agenda da discussão já tem meio caminho andado. Vejam por exemplo as internáveis discussões entre Estados Unidos e Ufão Soviética sobre o desarmamento. O esforço maior das duas potências é na definição da agenda da discussão. O que será e o que não será discutido. Daí as reuniões sempre adiadas.

Pois a disputa do poder começa pela disputa da
pauta da discussão.

Foi exatamente isto o que fizeram esta semana as hostes malufistas: um esforço enorme para impor aos meios de comunicação e ao adversário, a pauta das discussões da campanha. Em vez de discutir corrupção e aliciamento eleitoral, discutia-se a hostilidade popular ao candidato Paulo Maluf, discutia-se o apoio que terá do governo federal com as demissões em massa. Em vez de discutir as imposições do FMI nesta semana, com as quais provavelmente Roberto Campos, o formulador econômico de Maluf teria poucas reservas, discutia-se se Tancredo influenciou ou não a alta do dólar no paralelo com seu discurso contra a indexação.

O problema porém é que impor a paula das discussões da campanha é importante. Mas necessariamente não assegura a vitória. O tiro, às vezes, sai pela culatra. Pois a paula das discussões desta semana foi defendida a partir de radicalizações. E nem sempre a radicalização beneficia quem radicaliza.

(Joaquim Falcão)

_26/08/1984_