O governador de Alagoas, Divaldo Suruagi, estará se reunindo com os demais partidários de Andrenazza, em Brasília, para decidirem sobre o que fazer. Uma decisão sobre quem apoiar Tancredo ou Maluf – quando apolar e em que condições. Muitos fatores vão pesar. Um deles, com certeza, é a sua concepção do que seja política. Outro é sua experiência de como se faz política nas Alagoas.
Em novembro de 1982, na semana da apuração dos votos, Divaldo Suruagi foi entrevistado por uma emissora de televisão, para lodo o Brasil, logo que sua vitória para o governo estadual ficou nítida. O repórter lhe perguntou se haveria alguma diferença entre ser governador indireto, escolhido por Ernesto Gelsel, e ser governador direto, escolhido pelos eleitores. Suruagi não titubeou. Foi absolutariamente claro. Respondeu que havia sin uma diferença. Antes, ele estava comprometido com seu único eleitor: Gelsel. De agora em diante, estaria mais comprometido com centenas de milhares de alagoanos que o elegeram. Como aliás reza a concepção política pragmática. Existe porém uma condição necessária para que os eleitores possam influenciar o comportamento de qualquer político. Uma condição vital. O voto do eleitor não pode ser predeterminado. É preciso haver sempre uma razoável dose de incerteza. Se o governador sabe que será eleito ou reeleito, o poder dos eleitores
decresce. Em vez das preferências do eleitorado, outros fatores comandam as decisões do governador. O poder de um ministro do Interior, por exemplo, que administra a incerteza de liberar ou não verbas para um Estado carente, passa a influenciar mais do que o poder do eleitor.
O que parece caracterizar as relações entre Divaldo Suruagi e seu eleitorado é justamente este aspecto. Em Alagoas, as oposições são eleitoralmente fracas. Tanto o PMDB, o PDT quanto o PT. Inexiste, pelo momento, uma ameaça ao domínio do PDS. Sendo que no PDS, até há pouco, o acordo entre Divaldo Suruagi e Guilherme Palmeira assegurava a ambos uma sucessão estadual até o ano 2000 partilhada com razoável previsibilidade. Com um grau de incerteza muito pequeno.
Na medida porém em que Palmeira está na Frente Liberal, Suruagl ou segue seu rumo “natural” e entra na Frente, arriscando-se apenas a continuar combatendo as oposições. Ou corre o risco maior de apolar Maluf e se colocar contra Palmeira, o I’MDB e provavelmente a maioria do eleitorado.
(Joaquim Falcão)
_21/08/1984_