As instituições científicas e os cientistas brasileiros não escaparam ilesos a política econômica e antinacional do governo Figueiredo. Foram duramente atingidos. Sobretudo se considerarmos que a área depende fortemente da Seplan. E que a Seplan, pela estrutura administrativa que tem e pelos objetivos imediatos que busca, se interessa muito pouco pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia produzidas por brasileiros.

Na medida em que o País se prepara para uma Constituinte e uma nova Presidência, espera-se que voltem à tona problemas nestes últimos anos esquecidos e agradados. Pois não se constrói neste final de século 20 uma nação soberana apenas com negociações com credores internacionais. () País será tanto mais independente quanto maior sua capacidade de produzir conhecimento científico e tecnológico.

Três problemas graves precisariam ser enfrentados. Primeiro, estancar a política de recursos decrescentes. O principal fundo nacional de apoio a ciência e tecnologia, o FUDCT, representava, em 1975, 1,1% do orçamento da União. Em 1984 representa apenas 0,2%. O que significa: obsolescência de máquinas e material, salários não competilivos e programas descontinuados. Segundo reformular a participação da comunidade científica no processo de dec
são da política governamental. Os cientistas afastados das decisões científicamente relevantes, como por exemplo o Acordo Nuclear, foram também afastados de decisões importantes sobre a própria área. Agora mesmo, o governo Figueiredo, na busca de um empresário de 200 milhões de dólares, irá comprometer o País junto ao Banco Mundial com uma política científica fortemente criticado pela comunidade. Compromelimento que manietará a próxima Presidência. E que para fortalecer determinadas áreas, corre-se o risco de sacrificar a maioria delas. Finalmente, a crônica indefinição de objetivos e competências entre as principais agências federais de apoio à ciência e tecnologia não aproveitou a nenhuma delas. Entraqueceu a todas,

Diante do centralismo decisórios da Se-plan, os esforços feitos pelos técnicos o administradores destas agências e as pres-soes feitas pela comunidade científica foram insuficientes para resolver estes problemas. Se o País tiver porém, no próximo ano, uma política econômica mais democrática e nacional, teremos provavelmente também, ciência e tecnologia mais fortalecidas.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 12/08/1984_