Depois das eleições de 1982, o PMDB do Nordeste começa a se reestruturar. Marcos Freire, presidente do PMDB de Pernambuco, propõe uma dupla atuação: a reestruturação interna e a ação coordenada dos diretórios estaduais do PMDB no próprio Nordeste. A reação é muito simples. Os resultados eleitorais evidenciaram que independentemente das eventuais diferenças estaduais, existem condições comuns que fizeram com que o Nordeste se transformasse no país do PDS. Estas condições comuns passam, pelo que os presidentes dos PMDBs do Nordeste denominaram de subdesenvolvimento com resquícios oligárquicos e com neocoronelismo. Como passam também pela legislação eleitoral e partidária, a maximizar em proveito do PDS esta realidade subdesenvolvida. Estes presidentes estaduais, contando inclusive com o apoio de Melo Freire, presidente do PMDB de Minas Gerais, partilham desta proposta de Marcos Freire.

As dificuldades que esta atuação coordenada terá de enfrentar são várias. A primeira delas é definir pauta comum e locais adequados para agir. Esta primeira dificuldade começa a ser equacionada. O governador Tancredo Neves não hesitou em convidar os presidentes estaduais a comparecerem a Belo Horizonte na véspera, e acompanhá-lo a Montes Claros no dia da
próxima reunião da Sudene. Tancredo pretende discutir com estes presidentes as linhas de atuação do PMDB na Sudene, que verá assim reforçada a vocação que os governadores do PDS pretenderam lhe dar: o local técnico e politicamente adequado para discussão das relações entre o Poder Executivo Federal e o Nordeste.

Uma segunda dificuldade é bem mais complexa. Trata-se de enfrentar o que até agora tem sido impossível de ser obtido. Toda atuação coordenada em favor do Nordeste dificilmente tem passado das boas intenções. Em geral, a meio caminho, a coordenação não sobrevive à competição entre os próprios nordestinos. Tem sido assim, por exemplo, com os próprios governadores do PDS. Conseguiram, é verdade, uma boa coordenação a nível das reivindicações na Sudene. Mas dividiram-se diante das candidaturas presidenciais. E fragmentaram sua presença política nacional. Como tem sido assim também com os próprios deputados e senadores nordestinos, que muito raramente conseguem uma atuação coordenada no Congresso Nacional.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 14/06/1984_