Na faz muitos dias, o deputado Flávio Marcello PDS, Ceb, escreveu um artigo na vista “Vega”, defendendo o Poder Legislativo. E a semana antes, “Vega” publicara pesquisa que os brasileiros manifestaram sua descrença para com o Legislativo. Marcello fez o que lhe competia. Defendeu a instituição que preside: a Camara dos Deputados. Disse então: “Cessa a ação de Parlamento quando desaparecem as liberdades. E o Parlamento a vítima progreira de todo e qualquer golpe de força, pois “sustamente ele o palco da manifestação da cidade e das aspirações populares”. Parado-
Marcelo foi a televisão defender as medidas de emergência que cerceiam e intimidam o conresso. Ficou claro para milhões de brasileiros que a ação do deputado dificilmente corresponde aos ideais que defende.
Pes e no monimo tarefa inglória querer fazer com que os brasileiros acreditem que umas duzias de mulheres em campanha pelas diretas ameaçam o Congresso Nacional. Não ameaçam. Ou que meia dúzia de bandeiras de leitores solicitando a legalização de partidos políticos proscritos seja a iminência da subversão. Não é não. O deputado não ignora que um dos diretos fundamentais do cidadão eleitor é propor a mudança das leis, pacificamente. Propor inclusive a mudança das leis dos
partidos. Não há que se tapar o Sol com a peneira. Nestes anos todos nunca o Congresso foi ameaçado pelos eleitores. Em compensação, foi sempre a vítima primeira de atos institucionais, recessos obrigatórios, e agora, de medidas de emergência.
Além de presidente da Câmara dos Deputados, Flávio Marcilio é eventual candidato a vice-presidente na chapa de Paulo Maluf. O que se por um lado é um direito que tem, por outro impõe um cuidado de não confundir os objetivos da candidatura Maluf com os deveres da presidência da Câmara. Ao defender as medidas de emergência, o deputado provavelmente expressou como presidente o que seria apenas um desejo tático de um vice-presidenciável indireto. Pois nenhum deputado se queixou de estar sendo ameaçado. Nenhum deputado solicitou à presidência da Câmara que medidas de emergência fossem solicitadas ao Planalto. A própria Mesa da Câmara, através de seu secretário-geral, deputado Fernando Lyra (PMDB-PE), logo manifestou sua discordância.
Ao defender o cerceamento das liberdades do Congresso, o deputado não contribuiu para que milhões de brasileiros voltassem a ter confiança no Congresso. Ao contrário.
(Joaquim Falcão)
_22/04/1984_