Desta feita, a colheita de Paulo Maluf, em Pernambuco, não podia ser melhor. Nesta visita, obteve o apoio do ex-governador Moura Cavalcanti, que atendeu a pedido irrecusável da família do presidente Médici. O que indica que os ex-presidentes militares estão concorrendo ativamente na política sucessória. Cada um com seu candidato. Conseguiu também o apoio de alguns deputados federais. Até o reduto do ex-senador Nilo Coelho não teria ficado incólume. Bases de Petrolina estariam pressionando Oswaldo Coelho, deputado federal, irmão de Nilo, para apoiar também Maluf.

A reação do governador Roberto Magalhães não tardou. De alto e bom som, ameaça deixar o PDS. Ir para outro partido, caso constate não deter maioria suficiente para liderar o PDS de Pernambuco. Magalhães reconhece o direito de qualquer correlegionário seguir o caminho que aprouver. Mesmo que este caminho seja o malufismo. Por isto, reivindica para si o mesmo direito. Ir para onde queira. Deixar, eventualmente o PDS. Na esteira desta crise interna do PDS, o vice-governador Gustavo Krause afirmou que é chegada a hora do PDS local deixar de ambiguidades. Ou acompanha os nítidos anseios populares em favor das eleições diretas ou se submete à cúpula do partido e aos desejos dos presidenciáveis indiretos, disassociando-se.
assim dos eleitores: atuais e futuros, provavelmente.

O governador Tancredo Neves costuma dizer que na política, a arte consiste em saber a hora de entrar e a hora de sair. O PDS de Pernambuco entrou na tática da ambiguidade, definindo-se por um candidato indireto — Marco Maciel — que defende as diretas. Esta tática, por algum tempo, manteve o Estado a salvo de uma definição substantiva. Agora parece chegada a hora de saber sair. E optar: ou diretas ou indiretas. Talvez já esteja até um pouco tarde, pois Maluf percebeu que tal ambiguidade não protege mais nada: nem aumenta o poder de barganha de ninguém. Ao contrário, hoje esta ambiguidade significa apenas que o campo está livre para quem for mais ousado, e pertinaz.

É verdade que a candidatura Marco Maciel não depende de votos, agora. Depende muito mais de uma negociação ampla ou de um impasse no PDS nacional. Mesmo assim, uma crise no PDS pernambucano não lhe convém. Pois afeta sua imagem nacional de ‘político com capacidade de coordenar consensualmente o seu Estado, e neutralizar as investidas dos demais presidenciáveis.

(Joaquim Falcão)

_17/04/1984_