##### JOAQUIM FALÇÃO

Do equipo de articulistas do “Folha”

No Nordeste, Franco Montoro como governador é praticamente um desconhecido. Aliás já o era antes, como senador. Continua sendo, o que não é nem privilégio nem falta grave. Os nordestinos desconhecem a imensa maioria de nossos políticos: governadores, senadores, ministros, etc. Se duvidar, ignoram até quem seja o vice-presidente da República, o ministro do Exército e o João Figueiredo. Aliás não é só o nordestino quem desconhece nossos políticos. Os brasileiros em geral, e os paulistas também, caracterizam-se por um baixíssimo nível de informação política. Pesquisas da década de 70 evidenciaram que cerca da metade da população brasileira sequer sabia o nome do presidente do Brasil. Esta situação não deve ter mudado muito. Pesquisas de 1982, por exemplo, indicam que o eleitor brasileiro, paulista-ta, inclusive, ignora em sua imensão maioria o que seja abertura política ou Constituinte. Aliás, seu nível de informação política é proporcional ao nível de instrução universitária. Donde, o desconhecimento e a desinformação são gerais.

Quem conhece mesmo Franco Montoro e seu governo são as elites políticas, empresariais, trabalhadoras, a imprensa e alguns poucos setores das classes médias urbanas de Salvador, Recife, Fortaleza, João Pessoa, Aracaju, Maceió e Natal. Estes, diante do governo Montoro, parecem comungar de um núcleo comum de impressões não sistematizadas. Trata-se de um governo sem corrupção e que não usa de violência. Um governo politicamente não repressivo, como aliás tendem a ser hoje todos os governos. Da situação e oposição, Montoro, Tancredo, Magalhães, Brizola, Gonzaga Motta, estão todos atentos na campanha anticorrupção. No plano administrativo as informações que chegam aqui são discretas. Como parece ser a própria administração Montoro. Sem sabódomos, nem paulípetros.

A grande questão que fica no ar, sobretudo entre as elites políticas, é a tradicional incapacidade de São Paulo transformar seu poderio econômico em poderio político. Neste sentido Montoro ainda não ocupou, se é que vai, uma liderança política nacional correspondente ao peso econômico de São Paulo. De resto, os nordestinos sempre que pensam nos líderes paulistas nacionais, Maluf e Delfim, pensam também em Antônio Ermírio e Olavo Setúbal. Talvez como antídotos. O espaço político nacional ainda não foi ocupado pelo governador de São Paulo. Nem como articulador de consenso, nem como líder dos governadores de oposição ao governo federal. Ulysses Guimarães ainda é o paulista da oposição mais nacionalmente presente.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_14/03/1984_