Já nas eleições de novembro de 1982, o PDS de Pernambuco apresentou candidatos às eleições majoritárias bem mais moços do que os do PMDB: Marco Maciel, Roberto Magalhães e Gustavo Krause. De lá para cá, saíram de cena Moura Cavalcanti, por motivos de saúde, e Nilo Coelho. O espaço político ficou maior para novas lideranças. Que pouco vão surgindo. São líderes estaduais da situação que deverão no futuro ócupar cargos importantes no partido. Todos ainda estão na faixa dos trinta anos.

As novas lideranças são entre outras, as seguintes. Joel de Holanda, da antiga Seplan de Brasília, posteriormente secretário de Educação do governo Marco Maciel e agora líder do PDS na Assembléia Legislativa. Joaquim Francisco, secretário de Estado do governo Moura Cavalcanti, chefe da campanha eleitoral de Roberto Magalhães e atual prefeito do Recife. José Mucio Monteiro, empresário da agroindústria, prefeito de Rio Formoso, no interior do Estado, levado por Roberto Magalhães agora para a Secretariã de Transportes. Bom tocador de violão. Finalmente, Fernando Bezerra Coelho, deputado estadual por Petrolina, imprevistamente transformado desde logo no herdeiro político da família Coelho, a partir do desaparecimento de Nilo Coelho.

Estas novas lideranças necessariamente conduzem o PMDB a rever sua estratégia oposicionista. aqui em Pernambuco. Por motivo
simples. Não só porque todos detém uma experiência administrativa importante, como não se sentem comprometidos com os anos de autoritarismo do passado. Ao contrário. São líderes forjados da abertura política para cá. E não têm hesitado em assumir posições tão liberais quanto as do PMDB no que diz respeito a reinstitucionalização do País. Joel de Holanda, por exemplo, é um dos líderes da campanha pródietas no PDS, ao lado do deputado federal José Jorge Vasconcelos. Todos definem suas estratégias políticas a partir da busca do voto direto do pernambucano. Tal como o PMDB, A negociação, como parâmetro moderno da política, é intensamente praticada. Joaquim Francisco tem conseguido através da negociação neutralizar a oposição que lhe faz a Câmara dos Vereadores do Recife, controlada pelo PMDB.

Daqui para frente, o PDS, ou os eventuais partidos liberais que se vierem a formar, vão contar com estes líderes. A disputa pelo governo do Estado, em substituição a Roberto Magalhães, que deverá naturalmente pleitear ser senador em 1986, deverá ser entre Gustavo Krause, os deputados federais, e estes novos líderes do jovem PDS estadual.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 28/02/1984_