A cada dia que passa, Aureliano Chaves parece mais decidido a concorrer à Presidência da República, e ganhá-la. Seja por eleições indiretas, seja mesmo pelas eleições diretas. Aliás, a semana que passou foi marcada pela crescente tomada de posição do grupo Geisel em favor das eleições diretas. Aureliano, Maciel, Moreira Franco entre outros repetidamente defendem as diretas. O que parece ser consequência da posição de Ernesto Geisel que teria decidido apoiar as diretas. Não só como mecanismo eficaz para combater Maluf e Andreazza. Mas também para finalizar o projeto de abertura lenta, gradual e segura que iniciou. Neste contexto, não será surpresa para ninguém se Marco Maciel vier a produzir um projeto próprio de implantação de eleições diretas para a Presidência da República nestes próximos dias. Os estudos estão em fase de finalização. E não será um projeto para a década de noventa.
Por tudo isto, a estratégia da credibilidade, que Aureliano adotou, extrapola as eleições indiretas. É desde já estratégia para a eventual campanha nas eleições diretas também. De fato, uma dobradinha Aureliano Maciel teria chances razoáveis junto ao eleitorado brasileiro, sobretudo se concorrer com uma oposição fragmentada em pelo menos três candidaturas: Ulisses (PMDB),
Brizola (PDT) e Lula (PT). E se considerarmos que o desgaste natural dos governadores de oposição do Sul (Brizola e Montoro) é maior do que entre os governadores do PDS do Nordeste.
A estratégia da credibilidade tem, porém, alguns desafios a vencer. Um deles exige que a equipe do candidato Aureliano tenha também credibilidade. Assim como suas principais alianças políticas. Aqui surgem as dificuldades, pois Aureliano não se desvincula completamente do regime. Ao contrário, aí detém fortes alianças. É difícil, por exemplo, o eleitorado acreditar que o apoio ostensivo do ministro Armando Falcão é um apoio a favor da liberalização do regime. Principalmente porque o ministro vinculou sua administração no Ministério da Justiça à legislação autoritária, como a famosa Lei Falcão.
A estratégia da credibilidade não se assenta apenas na atitude ética no passado e no presente do presidenciável. Assenta-se também na coerência entre as propostas de liberalização e redemocratização que defende, inclusive diretas, é o passado e presente da equipe que pretende executar.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 14/02/1984_