Com diretas ou indiretas, o PDT nacional se descuida de uma tarefa vital: consolidar-se como partido institucionalmente mais permanente, socialmente mais representativo e politicamente mais poderoso. Por isto, o governador Leonel Brizola não se cansa de conversar com políticos nacionais, com os quais mantém afinidades ideológicas, buscando ampliar o PDT. Estas conversas de âmbito nacional, passam por vários Estados: Bahia, Minas Gerais (com o senador Itamar Franco por exemplo) e desembocam em Pernambuco com Miguel Arraes.

O PDT não disputou as eleições de 1982. Preferiu apoiar o PMDB e seu candidato Marcos Freire. Com a derrota, a tarefa de se consolidar como partido, tornou-se bem mais difícil, mas não impossível. E para esta tarefa que o PDT agora se dedica. Em pelo menos dois níveis distintos. A nível mais local, o PDT procura consolidar algumas bases no interior do Estado. Conversam, e muito, inclusive com sublegendas do PDS, descontentes com a situação de seus municípios. Partidários do PDT não escondem seu ofimismo com contatos feitos com dissidentes do PDS no agreste pernambucano.

A nível mais estadual e nacional, situam-se as conversas com Miguel Arraes. Não se trata de
uma migração para amanhã. A legislação o impede. A cautela que sempre cercou as ações de Arraes e Brizola desde que voltaram à cena política sugerem uma aproximação lenta, gradual e segura. A atitude do PDT local é de unânime aceitação. A vinda de Arraes fortaleceria em muito o partido de Arriando Monteiro Filho. Sobretudo nas eleições para o governo do Estado em 1986. As conversas nacionais prosseguem extremamente cordiais a nível estadual.

Não é de hoje a insatisfação de Arraes com as direções do PMDB racional e sobretudo estadual. É uma insatisfação calma, tenaz e persistente. Evidenciou-se na campanha eleitoral. Evidenciou-se na escolha do novo diretório. Evidencia-se na oposição diária à condução do partido. Por algum tempo, tentou uma redefinição interna do PMDB. O que não foi possível. Marcos Freire detém o controle do partido. Não detém no entanto o comando de suas principais lideranças: como Arraes e Jarbas. Enquanto Arraes não tinha outra opção, ficar insatisfeito no PMDB era inevitável. Com a evolução dos acontecimentos é natural, que pense em sair. Procure novas opções. O FDT é a alternativa mais viável neste momento.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 07/02/1984_