Mesmo sem candidatura oficializada, começam a ficar nítidas as diferenças entre Aureliano e outros presidenciáveis. Começam a ficar nítidas, as distintas táticas eleitorais, entre, por exemplo, Aureliano e Andreazza. Aqui no Nordeste, Andreazza faz a campanha do varejo, e de papel passado. Os partidários do ministro vão a cada convencional com uma lista para ser assinada, selando o apoio. O objetivo é obter um compromisso formal, escrito e portanto mais duradouro. E uma campanha cartorial, que vai muito bem enquanto o ministro estiver ministro. E depois? Será que o voto escrito é mais garantido do que o voto mineiramente conquistado?
A este propósito, político da oposição pernam-
bucana lembrou episódio interessante. O general
Muricy, comandante da 7ª Região Militar,
sediada no Recife, na revolução de 1964,
alimentou, por algum tempo, esperanças de ser
indicado governador de Pernambuco. Naquela
época, a escolha do governador indireto dependia de
conclusa, a província feita por um emissário de
Brasília aos arenistas locais. Pois bem, precavido,
o general obteve o apoio escrito da imensa
maioria dos arenistas que iam ser consultados.
Qual não foi sua surpresa, quando na hora,
obteve o apoio de apenas sete minguados,
arenistas.
Contra a tática do varejo e do papel passado, Aureliano tenta a tática do entendimento no atacado. Amplo entendimento sobre os problemas políticos e econômicos do País. Deverá, por exemplo, tomar uma atitude de nítida oposição
à política de recessão e de submissão internacional da atual Seplan. O que tornará difícil a posição de Andreazza que apoia a Seplan e ao mesmo tempo prega a retomada do desenvolvimento. Aureliano tentará fazer com que Andreazza explicite sobre que bases ganha estas assinaturas. Uma vez que os compromissos genéricos de democracia e justiça social escondem, mais do que revelam, a posição do ministro.
As diferenças começam a ficar nítidas também no que diz respeito à postura do candidato diante do uso dos recursos da administração pública. No Nordeste, quem está angariando fundos para a campanha de Andreazza são empresários agropecuários grandes beneficiados com o Finor da Sudene na gestão de Andreazza. É a tática da retribuição setorial. Boa parte deles integrante da Associação Agropene. Aureliano tentará desvincular a campanha de qualquer uso dos recursos públicos. Escolheu para um dos coordenadores o general Reinaldo Almeida, militar íntegro e de postura em relação à administração pública bem definida. É a tática da desvinculação.
Resta saber se a tática do varejo, do papel passado e da retribuição setorial de Andreazza vencerá a tática do compromisso no atacado e da desvinculação de Aureliano.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 31/01/1984_