Pode parecer que não. Mas, no fundo, a mobilização pelas diretas interessa também ao governo. Ou pelo menos a alguns setores do governo. Não agora, mas no futuro próximo. Exatamente depois da convenção do PDS, com o candidato já escolhido. E antes da reunião do Colégio Eleitoral para a escolha do novo presidente. Sobretudo se o escolhido dividir o partido como parece ser o caso de Andreazza ou Paulo Maluf. Pois aí, estes setores do governo só terão duas opções. Ou se omitir e esperar o agravamento da crise. Ou negociar com as oposições programa mais consistente para a abertura política e, eventualmente, um candidato comum, contra o escolhido do PDS.
O agravamento da crise virá entre outros motivos porque ambos, Maluf e Andreazza, já admitem publicamente que apóiam a atual política econômica do governo fíguiredo. E se apóiam, vão continuá-la. Com uma modificaçãozinha aqui e acoláé verdade. Mas a recessão, a dependência ao FMI, e a não apuração dos sucessivos escândalos financeiros vão continuar. A insatisfação dos empresários e dos trabalhadores vai continuar. E com certeza desaguar nas eleições de 86, para o governo dos Estados e o novo Congresso. Onde dificilmente o novo presidente terá o controle. A insatisfação social se transformará em é-lse político-instituto
### Récife
cional. Governadores e Congresso diretos de um lado e o presidente indireto do outro.
Já a negociação entre setores do governo e as oposições é outro caminho disponível, depois da convenção do PDS. E quanto mais forte, mais apoiada pelo povo, mais sucesso tiver lido a mobilização pelas diretas, maior respaldo social terá a negociação contra Maluf ou Andreazza. E se o PMDB não aceitar prazos fatals para as diretas e continuar a luta em março, maio ou outubro, as diretas poderão vir dentro desta negociação. Das quais, os presidenciáveis Beltrão, Maciel ou mesmo Aureliano poderão participar. Pois o que distingue hoje os políticos do PDS uns dos outros é a atitude de cada um em relação ao novo regime que o País necessita. Andreazza e Maluf são continuistas. Beltrão, Maciel e Aureliano pretendem ser renovadores.
Depois da Sé em São Paulo, é a vez de Bonsucesso, em Olinda, nesta sexta-feira. Com Marcos Maciel, Jarbas e Arraes. E mais Ulysses, Tancredo, Montoro, as trocas olinden-ses — o homem da mía-noite, a mulher do meio dia — e o povo em gerê,
(Joaquim Falcão)
_26/01/1984_