Como prêmio de consolação pela perda do governo de Pernambuco, a vínculação de votos deu ao PMDB o que nunca antes conseguira: 38 Prefeituras espalhadas por todo o Estado. Na verdade, uma das consequências da vínculação é a estadualização do PMDB. Até então, o PMDB era um partido estadual apenas nas eleições para o Senado. Nas eleições municipais e mesmo nas proporcionais, estaduais sobretudo, o PMDB era o partido do Grande Recife. A vínculação pernambucanizou o recifense do PMDB.

Pois bem, na última reunião do Diretório Estadual, Miguel Arraes levantou problema grave. É obteve o apoio da maioria dos presentes. Algumas das Prefeituras conquistadas, em vez de consolidarem o PMDB, estavam colocando em risco o trabalho feito nos anos de autoritarismo. Donde, ou o partido e seus responsáveis assumiam e enfrentavam este problema ou o eleitorado frustrado voltaria ao PDS (Roberto Magalhães já interveio na Prefeitura pecemedebista de Ipojuca por malversação de verbas). Arraes não citou nomes. Mas é consenso dentro do próprio partido que Jaboatão, Águas Pretas e São José da Coroa Grande estariam atravessando os mesmos problemas. O caso de Jaboatão é mais grave. O município tem 150.000 habitantes e arrecada mais do que Natal, no Rio Grande do Norte.

Algumas Prefetturas vieram do PDS já com
problemas graves. As que têm, por exemplo, o projeto Cura do BNH, estão financeiramente incuráveis. Ou pagam ao Cura, ou sobrevivem. São elas: Cabo, São Lourenço e Jaboatão. Outras são inviáveis estruturalmente. São pequenas Prefeituras que nunca tiveram nem têm perspectivas de terem recursos. Como Passira, que arrecada apenas quatro milhões, Barra de Guabiraba e outras. Em algumas Prefeituras porém, o PMDB tem realizado administração satisfação. José Queiroz em Caruaru, Ives Ribeiro em Itapissuma, José Mário em Escada, Luiz Portella em Palmares, e José Arthur em Limoeiro é a nova safra onde o PMDB coloca suas esperanças.

No fundo, a questão política colocada por Arraes são duas. Por um lado, o PMDB tem que oferecer ao eleitor pernambucano uma nova opção de administração municipal, mais popular e menos autoritária. Distinta da do PDS. E sobretudo não pode compactuar com a corrupção de seus próprios correligionários. Por outro, o partido não deveria se desviar para outros problemas que começam a surgir. Como, incrivelmente, o da disputa para ser candidato a deputado, verador e senador em 86. Ou a direção do PMDB corrige o que está errado ou o PDS o fará.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 24/01/1984_