O PDS de Pernambuco está mais ativo do que nunca. Nos últimos dias o governador Roberto Magalhães esteve com Tancredo Neves em Belo Horizonte. Marco Maciel esteve em campanha em Porto Alegre. E no Recife o deputado federal José Jorge Vasconcellos comanda o grupo pró-diretas de deputados e senadores do PDS. São iniciativas autônomas. Cada um a sua maneira. Aparentemente desconectadas. Todos porém agindo motivados pela sucessão presidencial.
O governador Magalhães retribuiu as visitas que lhe fez Tancredo Neves. A cada dia cresce a convergência de opiniões entre ambos. Convergência que necessariamente não significa apoio entusiástico às eleições diretas. Significa porém a crença de que o País deve passar por um governo democrático de transição. Capaz de completar a abertura política. Governo de transição que por sua vez passa pela neutralização da candidatura Paulo Maluf. Aí, talvez seu ponto mais frágil. Esta neutralização dificilmente virá através da infidelidade partidária. Por motivo simples. Se Maluf já demonstra tamanho poder de convicção e ousadia, antes de ser candidato oficial do PDS, imaginem depois? imaginem depois de obtido o respaldo da convicção do PDS? Vai ser muito difícil ser infiel. A infidelidade provavelmente será uma tentativa muito mais do que uma realidade.
Paralelamente, Maciel continua com sua candidatura presidenciável alternativa, Com a qual, muita gente estranha. Pois não é preciso ser especialista em política para perceber que suas chances são mínimas. E são mesmo. A questão porém é outra. Em matéria de política, Maciel madruga. Quando o PMDB foi cumprimentar Alfonsin em Buenos Aires, por exemplo. Maciel já lá tinha estado desde há muito. E a trajetória política do senador revela que a derrota de hoje pode fortalecer a vitória de amanhã. Pois não foi assim com sua escolha para governador de Pernambuco? Quando perdeu para Moura Cavalcanti em 1974, credenciou-se definitivamente para ser seu sucessor em 1978. E foi.
Finalmente o grupo pró-diretas tem no deputado José Jorge um de seus líderes principais. A opção é muito mais para marcar um compromisso democrático, do que com um objetivo pessoal de curto prazo. Pode crescer e virar a mesa dentro do próprio PDS.
Resta saber o que estas atividades tão dispares têm em comum além da sucessão. Fácil. Ao que tudo indica, o PDS virou uma frente. Deixou de ser um partido. Começa a ser vários partidos. Será?
(Joaquim Falcão)
_15/12/1983_