Tanto o PDS quanto o PMDB estão ameaçados de implosão. Ambos dilacerados por disputas internas. Fossem partidos consolidados, tais disputas não teriam consequências maiores. Mas não o são. O atual quadro partidário resultou da ressaca do AI-5, Além do que no Brasil a história revela partidos sempre com crônica fragilidade e precária sedimentação. Por detrás da ameaça da implosão está a sucessão presidencial. E os vetores são Leitão de Abreu e Tancredo Neves. Respectivamente.

O PDS começou, processo com a inconciliável candidatura Paulo Maluf, E ganhou estímulo com as declarações do ministro Leitão de que infidelidade não acarreta nulidade do voto no Colégio Eleitoral. Pode-se ser infiel à vontade.

Para o deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos, a implosão no PMDB avança na medida em que os partidários do governador Tancredo Neves pretendem impor ao partido duas teses problemáticas. A primeira é a solução consensual para a sucessão de Figueiredo, incluindo o consenso suprapartidário. A segunda, e por consequência, é a tese da solução consensual através de eleições indiretas. Argumenta o deputado pernambucano que o PMDB não é um partido. É uma frente. E frente é diferente de partido. Pois nela nenhum grupo pode deter a hegemonia. Há sempre que se respeitar as diversas tendências. O que o PMDB conseguiu até hoje, com muitos esforços, é claro. Lembra ainda Vasconcelos; o PMDB
conseguiu ser forte e crescente até hoje não por causa de eleições indiretas. Ao contrário. O que vivificá o PMDB são eleições diretas.

É evidente que Tancredo Neves não tem como objetivo explícito a implosão de seu partido. Mas, argumenta ainda Jarbas Vasconcelos, não se pode deixar de considerar significativo o fato de os partidários de Tancredo terem escolhido como secretário geral o senador Áfonso Camargo que há menos de dois meses consultou o Tribunal Superior Eleitoral sobre justamente a criação de novos parídos. Para que, se já existe o PMDB?

É difícil fazer qualquer previsão sobre o que acontecerá com o PDS e o PMDB. Não podemos porém, consultando a história recente, deixar de constatar que em matéria de implosão as oposições implodem muito mais facilmente do que a situação. O regime não implodiu nas disputas sucessórias entre Albuquerque Lima e Garrastazu Médici, nem entre Figueiredo e Silvio Frota. Não implodiriam a Arena 1 nem a Arena 2. Como nunca implodiram nem a Arena nem PDS nas sempre acirradas disputas pelos governos estaduais. Nem implodiram, nem precisaram de consenso suprapartidário para manter o poder.

(Joaquim Falcão)

_13/12/1983_