Depois de muitas idas e vindas, o PMDB chegou, há poucos dias, a um acordo. E elegeu sua nova Executiva Regional. Marcos Freire é o novo presidente do PMDB de Pernambuco, substituindo a Fernando Coelho. Não foi acordo fácil. Nem será gestão fácil. O PMDB enfrenta uma série de problemas. Problemas antigos. E muito pouco tem avançado em novas soluções.
O acordo girou em torno das três lideranças principais: Marcos Freire, Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos. Lideranças de convivência difícil. Foi um acordo desgastante. Para todos. Para não mencionar as reações negativas ao nome de Liberato Costa Jr. presidente da Câmara dos Vereadores do Recife, que substituiu Miguel Arraes, que não participa da Executiva. A indicação de Liberato, através de Miguel Arraes, conturbou o final do acordo. E que Liberato é um político de antes de 64. Com um desempenho histórico que desagrada importantes setores do PMDB. Foi uma indicação que independente dos méritos pessoais do vereador, aponta muito mais para o passado, do que para o futuro. Desune, muito mais do que une.
Estes acordos estão sendo muito desgastantes para o partido como um todo. Paralisam as atividades. Desmobilizam. Acirram os contrários. Impedem ação e decisão. A consequência principal é afastar
as bases do partido. Mais ainda, afastam as novas lideranças, os novos políticos do próprio PMDB. A frequência à convenção foi extremamente baixa, para um PMDB que é o grande partido do Recife. A sensação nas bases é que se repetiam, nas vésperas de 84, os mesmos problemas e as mesmas não-soluções que vingaram e prejudicaram o partido nas vésperas de 82.
A nova executiva vai enfrentar pelo menos dois importantes desafios. O primeiro, libertar o partido deste permanente desgaste que marca a convivência dos seus líderes. A renovação política interna é insuficiente. Os novos deputados, vereadores, líderes comunitários estão desestimulados. Repartidos. Cada vez mais, existe menos repercussão entre as questões da cúpula do partido e os novos líderes e as bases partidárias. O PMDB precisa rejuvenescer. O contraste com o PDS é cada dia maior. O segundo desafio é comandar as 38 prefeitu-ras municipais que agora detém, de forma a ficar claro para o eleitor que a mensagem e proposta ideológico-administrativa do PMDB não só existe, como é diferente da do PDS. E não só é diferente, como é viável também
(Joaquim Falcão)
_01/12/1983_