Se as eleições forem indiretas, se mantida a fidelidade partidária, se Figueiredo não indicar candidato e se os militares não o vetarem, não há dúvidas: para Maluf, o saldo de sua visita a Pernambuco foi positivo. O estilo é aquele que o Brasil conhece. A partir de pequeno núcleo de militantes, Maluf ocupa a cidade na base do “já, ganhei”. Ignorou os protestos, que não foram poucos. Na Câmara dos Vereadores, Mauro Ferreira Lima (PMDB) quis considerá-lo persona non grata. Na Assembléia, o PMDB se retirou em peso. Mesmo assim, Maluf visitou um a um, os convencionais. Aos que se declaravam apoiando Marco Maciel, tentava convencê-los de que Maciel terá muito mais poder como ministro do Interior do seu governo, do que como vice-presidente do governo Aureliano. Descolou até um jantar no Palácio das Princesas com Roberto Magalhães, adversário público de sua candidatura. Entre negar um jantar solicitado e assim hostilizar um presidenciável do PDS, e sentar-se na mesa, sem avalizar a campanha malufista, o governador sentou-se a mesa. Com Marco Maciel ao lado.
Na esteira de sua passagem, anunciou seis ministérios para o Nordeste. Se não prometeu o sertão virar mar, pelo menos assegurou transformar Pernambuco num jardim florido, à beira-mar plantado… Doou aos
plantadores de cana (apelido dos senhores de engenho que sobraram) uma diretoria no futuro Instituto do Açúcar e do Alcool. Foi mais além. Distribuiu empregos em seu futuro governo, e desde logo, neste atual governo federal. Não de primeiro ou de segundo escalão, é claro. Mas um emprego-zinho aqui e outro acolá, Maluf arranja logo através de fiéis deputados federais. Corretores de hoje, do presidente de amanhã. Se tudo der malufianamente certo, é óbvio.
Deixou o Recife cheio de boato. O preço do voto do convencional teria subido para cerca de 200 milhões. Dos 14 deputados federais do PDS, se não houver questão fechada em torno de Marco Maciel, nove pelo menos apoiariam a Maluf. E tem mais. Maluf anda de olho nas oposições. Uma militante malufista declarou de alto e bom som: “Não tenho nada contra a esquerda festiva. Nem eu, nem Paulo Maluf.” Pois não é que o líder do PDS na Câmara dos Vereadores, Rivaldo Teixeira, conseguiu que os vereadores do PMDB, Alfeu Sessi, Edson Oliveira e Antonio Pádua, malufianamente se mandassem na hora em que ia ser votado o requerimento que consideraria Maluf persona non grata do Recife, retirando o quórum necessário.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 24/11/1983_