Coelho é o futuro. Pois sua história decisão como presidente do Congresso Nacional, na votação do decreto-lei 2.045, não apontou para o passado. Apontou para o futuro. Futuro que o Brasil quer cada vez mais democrático. Naquele noite, logo depois da rejeição do decreto, em Brasília, o impacto do gesto de Nilo nos políticos oposicionistas, inclusive de Pernambuco, era enorme. Houve inclusive quem visse em Nilo o melhor candidato nordestino à Presidência da República. Se o gesto de Nilo Coelho apontasse para o passado, estimularia, certamente, críticas de alguns setores, com ou sem razão, pouco importa, ao seu governo em Pernambuco, no final dos anos sessenta. Estimularia críticas ao domínio quase secular que os Coelhos exercem sobre o eleitorado de Petrolina e parte do sertão. Estimularia os ressentimentos da árdua campanha para o Senado em 1978. Nada disto prosperou. Ao contrário, constatava-se apenas a possibilidade de revitalização política do Congresso, que seu desempenho pessoal cunhou. E pode-se pensar de-mocracia sem um legislativo altaneiro, autônomo-responsável?
Afonso Arinos diz muito bem: “No Brasil, o Poder Executivo, o Judiciário, as Forças Armadas e a administração civil são intocáveis em suas prerrogativas e garantias. Só o Legislativo é vítima de agressões por
palavras e atos. Não é estranho que isto se passe com a única instituição constitucional emanada da soberania popular.” Nilo Coelhho defendeu o Congresso e a soberania popular. O que nem todos os políticos estão preparados para fazer. Na hora certa. Infelizmente. Não importa o partido.
Ao defender o Congresso, Nilo evidenciou nacionalmente traço importante de seu temperamento, pessoal e político. Evidenciou ser um político movido pela intuição. Muito mais do que pela razão. O que é vital nos dias de hoje. O Brasil está cansado de uma política de laboratórios, de gabinetes fechados, de fórmulas racionais, de corredores de Nova York, de previsões impossíveis. O Brasil quer política ao ar livre. Precisa de lideranças que corram riscos. Que sejam independentes bastante para intulrem o que a maioria dos cidadãos pretende. Colegios eleitorais artificais, sublegendas recónditas, fidelidades partidárias constrangidas; limitações à criação de partidos, tudo está imensamente velho, antigo e antibrasileiro. E o antifuturo. Sobretudo quando comparado à possibilidade ensolarada que Nilo Coelho abriu, como presidente do Congresso Nacional, para: democracia brasileira.
(Joaquim Falcão)
_10/11/1983_