Na visita do presidenciável vice-presidente Aureliano Chaves a Pernambuco, Roberto Magalhães afirmou que a abertura ainda não acabou. Pois os Estados não são autônomos. A reforma fiscal ainda não se fez. Os governadores são administradores de províncias. De fato, as relações entre os governadores e o Planalto andam problemáticas. Não apenas com os governadores de oposição. Com os do PDS também. Por, pelo menos, dois bons motivos.

O primeiro pode ser facilmente percebido na campanha dos candidatos à Presidência da República. Os presidenciáveis — seja Maluf, Andreazza ou Aureliano não fazem comícios. Nem debatem programas e projetos na televisão. Apenas visitam, em casa, os privilegiados convencionais. E conversam o que ninguém ouve. E acertam o que ninguém sabe. Não importa o voto do eleitor cidadão. Importa o voto precioso do convencional. Não é uma campanha pública para a Presidência da ex-ojtava economia do mundo. É uma campanha de corredores e ante-salas. Fica claro para qualquer um. O governador e seus secretários eleitos pelo voto direto estão mais sujeitos à pressão direta do eleitor. Sem intermediários. Já o Presidente e seus ministros, do voto indireto, não. As diferentes
fontes de poder — do governador e do Presidente — estão brigando. E complicando as relações entre os governadores e o Píanalto. Daí a inevitabilidade das eleições diretas para presidente. Para que as relações sejam menos conflituosas. Pois ninguém vai defender eleições indiretas para governador. Do contrário, as relações entre um presidente indireto e governadores diretos serão cada vez mais tensas.

O segundo motivo é que a fidelidade do governador ao Planalto não adevinha do fato de serem do mesmo partido: Arena ou PDS. Avinha sobretudo da distribuição dos recursos públicos. Era uma fidelidade financeira. O Planalto controlava a distribuição do eventual excedente econômico do País. Quando não o havia, o imprimia, Moeda inflacionária, ORTNs e LTNs. Hoje, o FMI não deixa mais. O Planalto está sem caixa para administrar as fidelidades estaduais. Fidelidade em crise. Sem dinheiro e com a crescente tensão social rondando os palácios dos governadores. Quer dizer, dos administradores de províncias. Do PDS, do PMDB e do PDT.

(Joaquim Falcão)

_13/10/1983_