Não vamos minimizar os atos. A atuação do presidente do Congresso Nacional, o senador Nilo Coelho, só acidentalmente se refere à rejeição do decreto-lei salarial. Trata-se de algo mais grave e importante, o senador foi líder. Não apenas do Congresso. Foi líder da Nação. Sintetizou um unânime sentimento nacional. E apontou para o futuro. O País reclama novas lideranças políticas. Os trabalhadores reclamam. Os empresários mais ainda. Os jovens e os idosos. Os nordestinos e os sulistas também. E algumas das qualidades dos novos líderes, que inevitavelmente surgirão desta grave crise nacional, podem ser vislumbradas no desempenho do senador.
O País está cansado de líderes de circunstâncias. De lideranças forjadas pelos segredos dos corredores do curto prazo. O País necessita de líderes que defendam valores, projetos e ideais mais permanentes. Que no momento adequado percebam o possível conflito entre os interesses eventuais e paroquiais de seus partidários, e optem com firmeza a favor dos interesses mais permanentes e institucionais de todos os cidadãos.
Já se disse que é mais fácil ser coerente do que
estar certo. Tivesse sido coerente com os desejos do seu partido, o PDS, que efemeramente se confundem com os do Executivo, o senador teeria errado diante dos interesses mais permanentes do Legislativo.
O País está cansado de líderes sem independência. Que contemporizam por afetividade ou por solidariedade corporativa. O que é até compreensível do ponto de vista humano. Mas o que dificilmente será enaltecido pela história. Necessita-se de líderes que não dividan os cidadãos brasileiros em públicos: interno e externo. Mas ao contrário, que os integrem. Sobretudo necessita de líderes que não exercitem suas lideranças em cima do dever moral e legal de liberar verbas e recursos oficiais.
Já se disse também que nem sempre o líder é aquele que sabe mais. Que conhece melhor. Mas, líder é necessariamente aquele que tem mais coragem. O desempenho ensolarado e sertanejo de Nilo Coelho foi feito de coragem e de futuro.
(Joaquim Falcão)
_25/09/1983_