Decorridos seis meses desde março, pode-se formular visão abrangente, não apenas do governo Roberto Magalhães, mas das oposições também. O PTB, que concorreu com padre Melo, se já não existia em março, continua não existindo em setembro. Nem como partido, nem como oposição. O PT, por sua vez, granjeia muito mais respeito ideológico do que voto de eleitor. Continua sua trajetória em busca da organização de base. Não tem ainda maior representatividade operária. Sobram o PDT e o PMDB. Aquele, ao contrário deste, está em expansão. Não tem disputas internas. Organiza-se em todo o Estado. E favorecido pela boa imagem nacional de Brizola e pretende beneficiar-se das eleições diretas para a Presidência e do impasse da cúpula do PMDB local.

O PMDB amarga a derrota e a vitória que obteve nas urnas. Sofre a derrota como um partido financeiramente exausto, de militância desmobilizada, e com lideranças desagregadas. A prematura corrida pela presidência do partido envolveu Marcos, Jarbas e Arraes. Deu empate. Quer dizer, deu impasse. Nada se decide. O partido não anda. Parou. Quem faz oposição é a sociedade ou os deputados estaduais e os vereadores municipais. A socie-
dade tomou a iniciativa nos casos da poluição dos rios e do aumento do BNH. Os deputados estaduais conseguiram alguns fatos políticos: a negociação do empréstimo internacional e a CPI das estatais. Agora mesmo, alguns deputados com base no resultado da CPI pretendem fazer abrir processos inclusive criminais contra antigas administrações.

Mas o PMDB amarga também a vitória que obteve em importantes prefeituras. Com poucas exceções, os novos prefeitos têm duas ordens de problemas. Por um lado, herdaram administrações financeiramente inviáveis, como a Prefeitura de Cabo individada até depois do ano 2.000, ou cheias de irregularidades, como a de Faufista, que não tem as contas do antigo prefeito aprovadas. Herdaram também a pobreza e a seca que atinge a maioria dos municípios pernambucanos. Por outro lado, até agora nenhum prefeito de oposição implementou um novo programa, um novo estilo, uma nova participação popular na administração, uma nova mobilização social

(Joaquim Falcão)

_08/09/1983_