O clima da administração federal em Brasília é de quase paralisação. Ou melhor, de semi-depressão. E o culpado não é apenas a falta de recursos; o dinheiro curto. Este é o fator importante. Mas não é único. Existem outros, tão ou mais importantes.
A centralização paralisadora das decisões nacionais é um deles. Nos últimos anos, as decisões escaparam dos Estados, municipios e da sociedade em geral. Foram apropriadas pelo governo federal, em seu todo. Depois centralizaram-se na Seplan, em particular. Agora, avolumam-se na porta do próprio gabinete do ministro, Ocorre, que o gabinete anda ocupadíssimo com viagens e banqueiros internacionais por um lado. É por outro, com o recente caso do comércio Brasil-Polônia. Resulta que a administração dos problemas nacionalais está suspensa.
O subproduto principal desta centralização paralisadora é a inexistência de lideranças dentro do governo. E administração pública e
. governo sem líderes. Ninguém pode ser líder,
sem um múlmo de autonomia e credibilidade.
Alguns ministros têm credibilidade junto à sociedade, mas não têm autonomia junto ao governo. E os que têm autonomia junto ao
governo, não têm a credibilidade junto à sociedade. Se em vez do líderes, existissem equipes, tudo bem. Mas nem isto. O debate franco e a tolerância política não fazem o quotidiano do Ministério Figueiredo.
A inexistência de diretrizes ou de plano de governo é outro fator paralisante e depressivo da administração federal. E um aspecto da crise que Afonso Arinos identificou: o País está cheio de fatos, e carente de idéias. Os fatos sucedem-se, mas não têm extensão. A união em torno de um projeto de governo é o mínimo necessário para evitar o caos administrativo. Mas, sem idéias claras não se tem projeto possível. Quais as metas em educação e saúde do governo Figueiredo? Qual sua política industrial? Que objetivos persegue sua política agrícola? A maioria dos órgãos federais tem eslocados milhares de projetos. Quase todos paralisados. Uns realistas, outros não. O que é secundário, pois não se tem prioridade, diretriz, e política definidas. A administração federal está paralisada. Sem rumo
(Joaquim Falcão)
_01/09/1983_