A Universidade brasileira começa a pagar seu débito. Desta feita débito político e moral. Nos dias negros dos anos setenta, prenderam, cassaram e aposentaram um dos principais juristas brasileiros. Presença obrigatória e respeitada nas reuniões e discussões científicas sobre direito do trabalho no mundo ocidental. Jurista nacional e internacional. Sociólogo também: o prof. Evaristo de Moraes Filho. A Universidade Federal do Rio de Janeiro concede-lhe esta semana o título de professor emérito. Um testa que procura reparar a violência começou.
Violência que não atingiu apenas o cidadão. A quem em momento algum se poderia acusar de subversivo. Pelo simples fato de que sempre honrou o socialismo que defende, com a defesa que fez do regime democrático. Fez e faz ainda, de forma pública, aberta, não escondidos, não violenta, impressa, publicada e dita. Discutida e dialogada. Aperfeiçoada lealmente, antes na cática, que lhe tiraram, e depois nos livros que continuou publicando, e nos pareceres que continuou elaborando. Não foi apenas violação do direito humano de um brasileiro. A violência foi maior. Foi contra a Universidade enquanto
instituição, e contra os estudantes enquanto cidadãos.
cidadãos.
Repetindo o que aconteceu com o pensador italiano Antonio Gramsci, a prisão, cassação e aposentadoria pretendiam impedir seu cérebro de funcionar. Não impediram; ao contrário, estimularam no jurista a produção de pareceres legais acatados por juízes, advogados e tribunais. Empregados e empregadores. Estimou-ou no cientista social a produção de um saber jurídico-político e social, interdisciplinar, que influencia toda uma geração de cientistas sociais.
Hoje, neste início de redemocratização, já se pode fazer avaliação objetiva do episódio. Pouquíssimos, ou mesmo ninguém, poderiam afirmar que a Segurança Nacional foi melhor assegurada cometendo-se esta violência. Muitasíssimos, quase todos, poderiam afirmar que não se constrói um país, não se consolida um regime nem se forma uma geração com a intolerância de que foi vítima o prof. Evarristo de Morazs Filho. Hoje, professor emérito da Universidade brasiliãa
(Joaquim Falcão)
_18/08/1983_