“A experiência vitoriosa da chapa “Partiepação” na Convencção do PDS tem pelo menos duas características principais. Em primeiro lugar, trata-se de um movimento difuso, sem contornos definidos ou propostas específicas. Nem se constituiu em torno de uma liderança tradicional do PDS, nem é contra ninguém em particular. A base da chapa “Participação” é antes de tudo uma dupla insatisfação difusa, insatisfação para com a atual hierarquia do PDS, em qualquer de suas vertentes: de Maluf a Maciel, de Sarnel e Vilana a Andreazza. E insatisfação também para com o comportamento do PDS diante do poder. Seja diante do poder representado pelos ministros da área econômica, seja diante do poder representado pelos governadores da oposição. No dizer do jornalista André Gustavo Stumpf, trata-se da oposição real do PDS.
A segunda característica é a rapidez e facilidade com que forjou seu sucesso. A contrapartida desta característica é a constatação da ineficiência da condução política do
Palácio do Planalto. A Casa Civil pode até ser eficiente diante das oposições, mas parece ser cada vez menos diante do próprio governo. Estas características da experiência da participação não são exclusivas. Não seria exagerado dizer que são mais amplas. Refletem e estão presentes na atual vida política brasileira. Pois o que caracteriza hoje a política brasileira é uma ampla insatisfação difusa — de empresários a trabalhadores, de civis a militares, do governo às oposições — com os atuais rumos do País. Uma insatisfação que não se contenta, ao contrário se agrava, com o projeto sucessório do PDS/Planalto, com a política econômica FMI/Seplan, com as hesitações e divisões das oposições. O vácuo está criado para novas propostas e novos líderes, que renovem a Nação brasileira.
(Joaquim Falcão)
_12/07/1983_