A pressão dos credores internacionais para que o governo brasileiro ceda, e permita a entrada de bancos estrangelos em nosso mercado financeiro, começa a vir à tona. A Federação Nacional dos Bancos está enviando um questionário a seus bancos associados perguntando se são favoráveis ou contrários à entrada de bancos estrangelos. E, talvez prevendo a inevitabilidade da medida, pergunta também sobre as condições e limites nos quais esta entrada seria desejável.

A argumentação tradicional a favor da abertura do mercado brasileiro ao capital estrangeiro é dupla. Por um lado, alega sempre escassez de capital nacional. Por outro, alega a ineficiência operacional da empresa nacional. Nenhum destes argumentos se aplica aos bancos brasileiros. Na verdade, nos últimos anos, dois setores importantes de nossa economia conseguiram manter-se em mãos nacionais. E para os padrões do atual regime e da atual política econômica, apresentaram desempenhos competentes e produtivos. Foram eles: a indústria da construção civil e os bancos. Inexiste pois uma necessidade da economia nacional que justifique tal entrada. O que no entanto não impedirá certos raclecinos que defenderão a entrada dos bancos estrangelos, como meio para baixar os juros.

Este será um argumento bom de teoria.

Mas fraco de realidade. Todo mundo sabe que o nível atual dos juros é determinado por um lado pela vontade expressa da política do governo, e por outro pelo endividamento do sector público. São os próprios ministros da área econômica que afirmam que o caminho é reduzir o déficit público. Não seria caminho suficiente? Para o cidadão brasileiro a constatação é muito simples. Se os banquilos nacionalas já são suficientemente fortes para levar o governo a optar por uma política econômica que privilegia o setor bancário e mantém os juros altos, imagine se este setor contar também com o interesse direto dos credores internacionais? Al sim os juros não baixam nunca.

De resto, medida desta natureza, pelas graves consequências que acarreta inclusive para a segurança nacional, não poderia ser tornada nos bastidores. O Legislativo, os governos estaduais e municípolis, os sindicatos, os empresários brasileiros não podem ser mantidos à parte desta decisão. Um país que se pretendo sério não abre mão de uma prática histórica de décadas, sem que esta decisão refilta um consenso nacional.

(Joaquim Falcão)

_07/07/1983_