Um dos problemas clássicos da passagem de regimes fechados para regimes democráticos é justamente o de como forjar novas lideranças para novos tempos. Por isto, não é só o PDS que tem problemas com a escolha de seus novos líderes. Com a sucessão. O PMDB também os tem. Quem vai suceder a Teotônio Vilela quando ele for obrigado a encerrar sua missão política? Nestes últimos anos, Teotônio conseguiu captar, representar e liderar importante segmento de cidadãos brasileiros: a oposição liberal. Não a oposição liberal conciliatória. Muito menos a oposição liberal radical. Mas a oposição liberal independente.

Para o PMDB, seu desempenho é dupla-mente importante. Primeiro, porque a independência de seu liberallismo o ajuda a definir os contornos do PMDB, sem porém limitá-lo. Concede identidade à frente oposicionista, sem permitir que nenhum dos diversos grupos ideológicos determine seu perfil final. Segundo, porque a amplitude de sua atuação nacional contribuí para dar
homogeneidade ao PMDB, de norte a sul. Não se trata de líder local ou regional. Trata-se de líder nacional. Pensa o Brasil com ambição e amplitude. Não se trata apenas de defender o Nordeste. Val mais além. Pretende reformar o Brasil, com seu projeto esperança.

A estas duas características, ajunte-se ousadia e desassombro. O liberalismo de Teotônio levou-o a enfrentar políticos e policiais com o mesmo depoimento de coragem clífica e física. Um partido de vocação nacional como o PMDB tem que ter vários tipos de líderes. Inclusive líderes com capacidade de se desvencilhar de seus compromissos, limitações e ambições estaduais ou regionais. Capazes de se debruçarem com ousadia e desassombro sobre o futuro do Brasil. Tal como Teotônio.

(Joaquim Falcão)

_23/06/1983_