Com a partida do último avião libão do Recife, encerrou-se de forma pragmática o que quase foi um “Imbróglio” internacional. A fórmula simples, de conveniência do Brasil e da Líbia, foi obtida pelo bom senso e técnica do Itamarati. Este episódio extrapola o círculo restrito da política externa brasileira. Lança luz sobre grave problema que anda a ameaçar o Pals. Na verdade, nestes últimos anos, em nome de desnorteada política econômica, o Pals assiste ao aniquilamento de suas principais instituições. A começar mesmo pelo conceito dos Ministérios, em sua maioria transformados em departamentos executores de políticas e decisões de que não participam. Como foram aniquilados os Estados e municípios, transformados em repassadores de recursos que canalizam, mas que não gerenciam de fato. Como também a especulação financeira desenfreada e oficialmente permitida acabou por transformar o investimento em aventura e não na prática produtiva do capitalismo que se pretendeu Implantar. Agora, com a submissão Inglória ao FMI, assiste-se ao aniquilamento do parque industrial brasileiro.

Não se pode falar em governo, regime ou nação, sem o Pais dispor de instituições historicamente consolidadas pela competência demonstrada. Pela experiência cultural e técnica adquiridas. Pela credibilidade sempre
renovada diante dos cidadãos, Algumas instituições têm conseguido sobreviver a este vendaval desestruturador da nacionalidade; a Igreja Católica, os militares, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Itamarati, entre outros.

Nos últimos tempos, porém, o Itamarati está cercado, se não de ingerências, pelo menos de interferências paralelas. Onde se pretende substituir a diplomacia pela conexão, Veja-se o risco que correm as relações Brasil e Estados Unidos. Na visita de Reagan ficou claro haver relações controladas pelo Itamarati e relações outras, conexões empresariales e financeiras controladas por grupos e indivíduos específicos. Estas querendo sobre-por-se àquelas. O mesmo ocorre com a nossa política econômica internacional. Cada vez menos em mãos de instituições nacionais, cada vez mais em mãos de intermediários ou corretores internacionais.

O sucesso do Itamarati no caso libio deve ser entendido também como a necessidade de o País preservar, em nome da nacionalidade, as instituições com credibilidade junto aos cidadãos.

(Joaquim Falcão)

_19/06/1983_