O PDT de Pernambuco começa a se reestruturar. Abre de novo as portas de sua sede sob o comando de Armando Monteiro. Esta reestruturação poderá alterar, e muito, o atual jogo político pernambucano. Até então repartido entre o PDS e o PMDB. Dols fatores principais estão influenciando de perto este novo PDT. Primeiro é a reestruturação do PDT nacional. A cada dia que passa a opção de Brizola parece ser apenas uma: acabar com o atual PDT e criar novo partido. Seja para a hipótese de eleições indiretas ou mesmo diretas. O PDT necessita de uma base parlamentar nacional e de ampliar seus quadros nacionais. Já existe uma demanda real de parlamentares de todos os níveis que gostariam de entrar no partido de Brizola. Este novo PDT já está latente. Trata-se agora apenas de enquadrá-lo e viabilizá-lo dentro da atual legislação eleitoral. Em Pernambuco, alguns políticos do PMDB já começam a evidenciar boa disposição em favor de um novo partido de oposição sob o comando de Brizola e Armando Monteiro.

O segundo fator é a disputa interna que mais uma vez toma conta do PMDB local. Disputa explicitada nas candidaturas de Mar-
cos Freire e Fernando Coelho à presidência do partido. Se não houver acordo entre seus principais líderes — Marcos, Jarbas e Arraes — a questão do PMDB não será mais a de quem vencerá a disputa. Será outra. Será a de quem perderá o qual. Fora do acordo, qualquer vitória desagregará o partido. Sendo que, desta falta, longe da pressão eleitoral, os que perderem terão outra alternativa. Ou irei para o novo PDT, ou mesmo articularem-se nacionalmente para a criação de outro partido de oposição. O que poderá ser feito a tempo de participarem das próximas eleições de 1986. Alguns membros do atual PMDB acreditam que esta será uma cirurgia necessária, inclusive para retirar o partido do imobilismo atual.

Não será surpresa, pois, o fato de o novo PDT, ou Partido Socialista, ou Partido Socialista Operário Brasileiro, vir a ter força político-eleitoral em Pernambuco proximamente.

(Joaquim Falcão)

_16/06/1983_