No fundo, o País não está discutindo a sucessão presidencial. Está discutindo a sucessão ministerial. Mais precisamente, a sucessão dos ministros da área econômica. Na medida em que o presidente Fíguெiredo vinculou o destino de seu governo ao destino dos ministros da Fazenda e do Planejamento, o País se viu diante de um impasse. Para mudar o ministro tem que mudar o Presidente. E como a maioria dos brasileiros não quer mudar o Presidente, o jeito mesmo é antecipar o debate sucessório. Tentar descortinar desde agora o futuro presidente para tentar descortinar a nova política econômica. Que não seja uma política eficiente na desnacionalização de nossas empresas e espoliativa nos salários de nossos trabalhadores.
O cenário é muito simples. Se não está no vídeo, está com certeza no pensamento da maioria dos brasileiros. Se o presidente Figueiredo tomasse a frente da política econômica, redefinindo seu rumo, tornando-a mais cheia de credibilidade, externa e interna, os resultados seriam provavelmente mais animadores. Pois a questão hoje não é fazer novos pacotes. Por motivo simples. Este processo de fazer pacotes não está funcionando. Não importa qual o pacote. Mesmo pacotes como o que pretende que cada ministro de Estado seja presidente das em-
presas estatais de sua órbita. Afinal, trata-se de ministros ou de gerentes? Pois a eles, com as honrosas exceções, não é dado o direito de participar da formulação das políticas econômicas e financeiras de suas próprias empresas estatais. O ministério nem mesmo se reúne.
Paradoxalmente, por estes mesmos motivos, os credores internacionais do Brasil começam a se preocupar. O acordo com o FMI corre o risco de ser a versão internacional dos pacotes que não baixam infração nem tiram o Pals da recessão. Vão remendar e remendar este acordo até chegarem à conclusão de que o que está errado não são as metas estabelecidas. Está errado é o processo de condução da política econômica. Qualquer que seja a meta, Pols, numa economia complexa e heterogênea como a nossa, ou se obtém um mínimo de consenso sobre os objetivos econômicos nacionais, ou o governo e o próprio Fundo vão-se dar a tarefas inglórias. Arriscando ainda de transformar isto aqui num Irã tropical.
(Joaquim Falcão)
_05/06/1983_