Diz o ditado popular: manda quem prende e solta. Quem nomeia e demite. O governador Roberto Magalhães nomeou. E agora demite também. Dos quase vinte secretários que assumiram em março, quatro já foram afastados. O primeiro foi o secretário de Segurança, Enildo Lins. O motivo oficial foi problemas de saúde. Mas havia também problemas com nomeações de cargos de confiança, e conflito com a estrutura antiga da Secretaria. Agora, de uma só vez, Magalhães demitiu três secretários: Everardo Maciel, da Educação; José Fernando, de Obras e Saneamento; e Antão de Melo, dos Transportes. É tarefa inglória tentar saber o motivo real das demissões. À primeira vista poderia significar um rompimento com Marco Maciel, uma vez que dois dos demitidos foram secretários de Maciel. No fundo porém estas demissões representam sobretudo uma radical mudança no estilo de administrar e fazer política em Pernambuco. E não um rompimento entre os dois líderes do PDS.

Maciel sempre foi cauteloso, negociador e conciliador. Magalhães, ao contrário, é impetuoso, decidido e partidário. O desempenho dos secretários estava trazendo problemas para sua administração. Everar-
do Maciel, por exemplo, não conseguiu vencer a corrente contrária à sua permanência na pasta de Educação. A situação não solucionada da Compesa, empresa de águas do Estado, estava levando as populações de Recife, Paulista e Olinda ao desespero.

Neste episódio, dois aspectos são importantes a considerar. Primeiro, demitir funcionários de primeiro escalão, coletiva e fulminantemente, é fato pouco comum de 1964 para cá. Quer a nível federal, quer a nível estadual. Onde demitir ministros e secretários é sempre visto como uma ameaça à segurança do regime e à credibilidade de quem escolheu. Para Magalhães, demitir é tão rotina quanto nomear. Pior do que errar é permanecer errando.

Segundo, os principais líderes da oposição envolvidos nas disputas intestinas e autofágicas pelos diretórios não estão tendo tempo para fazer oposição e controlar a administração do PDS. O gesto do governador pegou de surpresa seus secretários e a oposição também.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 29/05/1983_