É época de renovação dos diretórios dos partidos. Em Pernambuco o contraste é grande. De um lado, o PDS, que já está com tudo definido. O governador Roberto Magalhães articulou uma chapa, que sob seu comando tem representantes das principais correntes: a de Nilo Coelho e a de Marco Maciel. Assim, Aderbal Jurema deverá ser o novo presidente estadual do partido. Joel de Holanda, ex-secretário de Educação de Marco Maciel, é segundo vice-presidente, e Fernando Bezerra Coelho, herdeiro político da dinastia dos Coelhos de Petrolina, o novo secretário-geral.

Quadro radicalmente diferente é o do PM-DB, Marcos Freire, com apoio expressivo da bancada dos deputados estaduais e dos vereadores do Recife, lançou-se candidato à presidência. O atual presidente, ex-deputado Fernando Coelho, pretende também disputar a presidência. Tem apoio do deputado Miguel Arraes. Tudo não passaria de saudável disputa democrática, se o PMDB não corresse o risco de repetir processo da campanha eleitoral que o levou à derrota. Em vez de dar prioridade à obtenção do consenso dentro das diferenças (consenso que funcionou na escolha dos líderes e das mesas
da Assembléia estadual e da Câmara dos Vereadores do Recife), o movimento inicial do PMDB parece preferir a disputa interna. O que não seria grave, se o resultado provável não for o empate. A verdade é que nenhum dos diversos grupos do PMDB tem hoje o controle sozinho do partido. Ou negociam, ou dá empate, isto é, impasse.

O Impasse paralisa o partido. Ninguém assume nada, resulta em pelo menos três graves consequências. Primeiro, deixa o governo com espaço livre (substituiram a disputa interna pela disputa externa). Segundo, agrava os problemas dos prefeitos do PMDB, obrigados a se dividir entre os graves encargos de administrações quase falidas, com as complicadas alianças grupais. Terceiro, afasta a cúpula das bases partidárias. A maioria transformada em espectadores de um jogo onde são obrigados a esperar imóveis os 90 minutos, para conhecer o resultado final.

(Joaquim Falcão)

_22/05/1983_