Quase todos os novos governadores estão com dificuldades para administrar seus Estados. A situação do governador da Paraíba, Wilson Braga, do PDS, parece ser porém das mais graves. Hoje, financeiramente, a Paraíba quase quebrou. Sobrevive apenas pela paciência do funcionalismo, que desde dezembro só recebe o salário em atraso, dos empreiteiros que financiam o governo através de faturas não pagas, e por manobras financeiras de curtíssimo prazo. Basta darmos uma olhada nos números.
A arrecadação estadual é cerca de 4,5 bilhões de cruzeiros. Com estes, o governo tem que pagar: 4,6 bilhões de folha de pessoal, 1,5 bilhões de juros e amortização de empréstimos tomados, 300 milhões de repasse de ICM para os municípios, além de cerca de 2 bilhões de custeio e despesas inadiáveis para manter o Estado aberto. Se não, fecha. Basta somar. O rombo mensal sobe a mais de 50 por cento da arrecadação mensal. Sem falar das despesas atrasadas, que (sem contar despesas com fornecedores) vão a 1,8 bilhões. A mágica da sobrevivência é a utilização da conta única administrada pela Secretaria da Fazenda, para onde vai toda a receita das empresas estaduais e autarquias. Esta conta é de fato o capital de giro
com que sobrevive o governo. Aliás, o governo já deve a esta conta cerca de 2 bilhões. O novo governador aguarda ansioso a possibilidade de obter um empréstimo externo de 20 milhões de dólares. Pois se até junho a situação não for equacionada, a Paraíba fecha. De resto, empréstimo por empréstimo, pouco agrava a situação. A Paraíba, isto é, o paraibano, já está endividado até o ano 2007.
O trágico da história é que todo mundo sabe que aumentar o endividamento não resolve o rombo do caixa. Apenas adia e agrava. Mas o problema da Paralba não se separa do problema do Brasil. O mote financeiro é o mesmo. A Paralba, como o Banco Central e como o Banco do Brasil em Nova York, opera no vermelho. Enquanto a estratégia não for mudada — renegociar a dívida para médio e longo prazo — de modo a reestruturar a economia e a política, a situação vai se agravar. Os governadores hoje são inventariantes de um amargo espólio.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 10/05/1983_