Até 15 de março deste ano, o PDS sempre sucedeu ao PDS. Na Presidência da República e nos governos dos Estados. Daí por que a atitude do sucessor em relação à administração do sucedido foi sempre a mesma. Quer a atitude do presidente da República que entrou, em relação ao presidente que saiu; quer a atitude do governador que entrou, em relação ao governador que saiu. Ou seja, diante de eventuais erros políticos ou técnicos, ou mesmo de eventuais casos de corrupção, com raras exceções, nenhuma apuração dos fatos se fez pública e completamente. A atitude assumida caminhou sempre em três direções. Ou simplesmente desconheceram o problema ou negociaram silenciosamente com a administração que saía; ou, ainda, procederam a uma apuração interna dos fatos, de dentro para dentro do governo. Um acerto de contas autofálgico. Em outras palavras, a atitude do novo governador em relação à administração anterior foi a seguinte: o passado a Deus pertence, e daqui pra frente tudo vai ser diferente.

Nos Estados onde as oposições ganharam, a atitude dos novos governadores está sendo diferente. De uma forma ou de outra, têm procurado apurar o que se passou nas administrações anteriores. Mas aquela atitude ainda domina nos governos onde o PDS, sucedeu ao PDS.

Tal atitude do PDS explica duas concepções básicas sobre o exercício do poder. Primeiro: não existe poder além do Poder Executivo. E este o único capaz de apurar os fatos. Ou de não apurá-los. Nem as instituções sociais, nem os demais órgãos do Estado, podem controlar o Executivo. Quando podem, podem pouco. Segundo: o Poder Executivo é um todo monolítico, onde o eventual erro político de uma estatal ou a corrupção de um funcionário atinge invariavelmente a reputação do governador ou presidente. E uma espécie de nepotismo tropical-tecnocrático.

Este é o problema atual do governo Roberto Magalhães. A sua proposta de controle das estatais, de austeridade e honestidade na condução da administração estadual tende a ser sobretudo uma proposta: daqui pra frente. O PMDB, ao contrário, quer que a austeridade e honestidade vão mais além. Informe-se à sociedade com clareza e suficência o que se passou antes. Um dos focos das disputas é o desempenho da última administração do Banco do Estado; o Bandepe. Esta é um puta saudavelmente democrática. (Jo. 1. 1.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_Recife, 01/05/1983_